terça-feira, dezembro 04, 2007

Do forno, quentinho, quentinho

Para quem não sabe ainda o que me oferecer no natal, eis uma boa ideia acabadinha de existir:







Descrição na Amazom:

Regard for George Oppen's poetry has been growing steadily over the last decade. Peter Nicholls's study offers a timely opportunity to engage with a body of work which can be both luminously simple and intriguingly opaque. Nicholls charts Oppen's commitment to Marxism and his later explorations of a 'poetics of being' inspired by Heidegger and Existentialism, providing detailed accounts of each of the poet's books. He is the first critic to draw extensively on the Oppen archive, with its thousands of pages of largely unpublished notes and drafts for poems; in doing so, he is able to map the distinctive contours of Oppen's poetic thinking and to investigate the complex origins of many of his poems. Oppen emerges from this study as a writer of mercurial intensities for whom every poem constitutes a 'beginning again', a freeing of the mind from thoughts known in advance. A strikingly innovative and challenging poetics results from Oppen's attempt to avoid what he regards as the errors of the modernist avant-garde and to create instead a designedly 'impoverished' aesthetic which keeps poetry close to the grain of experience and to the political and ethical dilemmas it constantly poses.

terça-feira, novembro 27, 2007

Ideias para o pai natal



Seguem-se os primeiros parágrafos destes dois romances de José Rogrigues dos Santos que “roubei” (os extractos) no Jumbo; negritos e sublinhados meus.


“Quatro.

O velho historiador não sabia, não podia saber, que só lhe restavam quatro minutos de vida.

O elevador do hotel aguardava-o de portas escancaradas e o homem carregou no décimo segundo botão. O ascensor iniciou a viagem e o seu ocupante admirou-se ao espelho. Achou-se acabado, viu-se calvo no topo da cabeça, apenas tinha cabelo por trás das orelhas e na nuca; e eram cabelos gastos, alvos como a neve, tão brancos quanto a barba rala que lhe escondia a cara magra e chupada, riscada por rugas profundas, arreganhou os lábios e analisou os dentes desalinhados, amarelos de tão baços, com excepção dos falsos que lhe tinham sido implantados, eram esses os únicos que respiravam uma saúde nívea de marfim.

Três.

Um tim suave foi a forma encontrada pelo elevador para lhe anunciar que tinha chegado ao destino, era favor o ocupante sair e ir à sua morte porque ele, o elevador, tinha mais hóspedes para atender. O velho pisou o corredor, virou à esquerda, procurou com a mão direita a chave no bolso e encontrou-a; era uma ficha branca de plástico com o nome do hotel num lado e uma fita escura no outro; a fita continha o código da chave. O velho colocou a ficha na ranhura da porta, acendeu-se uma luz verde na fechadura, rodou a maçaneta e entrou no quarto.”

Prólogo - O códex 632


“O homem dos óculos escuros riscou o fósforo e colou a chama violácea à ponta do cigarro. Aspirou forte e uma nuvem acinzentada ergueu-se do rosto, devagar, fantasmagórica.
O homem percorreu a rua com o olhar azul e apreciou a placidez daquele recanto aprazível.

Fazia sol, os arbustos coloriam de verde os jardins mimosos, graciosas casas de madeira espreitavam a rua, as folhas tremelicavam sob a brisa leve da manhã, o ar ameno encheu-se de aroma e melodia, perfumado pela fragância fresca das glicínias, embalado pelo estridular laborioso das cigarras na relva rasteira e pelo arrulhar meigo de um beija flor. Uma gargalhada despreocupada juntou-se ao harmonioso concerto da natureza, era uma criança loira que guinchava de alegria e saltitava pelo passeio, puxando um colorido papagaio por uma corda.

Primavera em Princeton.”

Prólogo - A Fórmula de Deus

Confesso, não li os livros, não os tenho, mas prometo lê-los se alguém mos oferecer; está aí o Natal e aí estão duas boas ideias.

Repito: não li os livros mas aqueles poucos parágrafos bastam. Da sua leitura surgem uma dúvida e uma certeza.

A dúvida: como é possível vender centenas de milhar de livros que começam de forma tão ... lamentável.

A certeza: qual a melhor maneira de escrever livros volumosos.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Matrix




Os quilolitros de preto, as toneladas de pasta de árvore, os quilowatts de pensamentos consumidos com a sandice Chavez vs. Juan Carlos só me dão para pensar numa recente entrevista que Carlos Fiolhais deu, salvo erro, ao JN.

Perguntava-lhe o entrevistador:

- Alguma vez a Inteligência Artificial poderá ser tão totalizante como nessa fábula cinematográfica? (sobre o filme Matrix)

Resposta do físico:

- Não. Eu tenho mais medo da estupidez natural do que da inteligência artificial.

terça-feira, outubro 30, 2007

Ordem de trabalhos

falemos em caligrafia
e em silêncio

falemos de como há tempo
na intermitência da luz
e de como os pássaros vingam
nem sempre

falemos de ontem
da vibração dos edifícios
e de como as cores se concentram
em volta

falemos de grandezas absolutas
tomemos horas
e aviemo-nos de caminho

David Augusto Fernandes

terça-feira, outubro 02, 2007

Travian: romanos, gauleses e teutões

Chama-se e é um jogo.

O objectivo é criar, desenvolver e expandir uma aldeia. Saquear uma aldeia vizinha é apenas umas das formas de aumentar os stocks de cereais, madeira, ferro e barro. Criar ou juntar-se a uma aliança com outras aldeias é também possível.

À primeira vista é um jogo complicadíssimo. Nada mais errado: a forma gradual como as "coisas" nos vão aparecendo como que nos ajuda a ir percebendo o funcionamento do jogo sem stress.

Para jogar basta um browser e, claro, acesso à internet.

Não custa um centavo, não exige praticamente atenção e é muito divertido.


Uma aldeia

O centro da aldeia



As redondezas


Relatório de um ataque


Interessado?? Clique aqui (se se registar a partir deste link eu ganho alguma coisita para a minha própria aldeia; preferindo o link directo sem benesses para moi méme, clique aqui)

Registe-se e experimente. Vá seguindo as dicas que o próprio sistema lhe vai fornecendo e, tendo tempo, procure informação ... no google por exemplo; "é aos milhares".

Divirta-se.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Porque compro alguns livros


"Quero deixar memórias dos dias que não foram, lembrança do tempo roubado e do torvelinho de emoções que agitou aqueles dias sem sol nem noite. Não quero falar da dor, só o necessário. A dor continua aí, encolhida, como um animal adormecido que às vezes acorda. Mas o sofrimento tem algo de impúdico quando se torna público. Ninguém quer enfrentar o horror, a ninguém agrada recordá-lo. Essa é sempre a vantagem do verdugo: as suas obras são tão horríveis que rapidamente caem no esquecimento."

"Os demónios à minha porta"
José Manuel Fajardo

quinta-feira, setembro 27, 2007

Isto sim, é um espectáculo


Enquanto o Ricardo Costa, acometido de um inusitado ataque de autismo, perdia o sono a pensar na maneira mais eficiente de aumentar a velocidade da sua fuga em frente, o Destak fazia umas contas.

Nem era preciso, toda a gente sabe: as prestações do crédito à habitação cresceram 20% nos últimos dois anos. Se pensarmos em quanto cresceram os salários .... pois é.

Por isso, políticos, jornalistas da especialidade e demais mentirosos, peguem nas vossas continhas sobre a inflação e o poder de compra e metam-nas num sítio que eu cá sei.


Imagem de uma cratera, acredito que, no planeta Marte.

Isto não é espectáculo



Pedro Santana Lopes abandonou, em directo na SIC-Notícias, entrevista interrompida por (também) directo da chegada de José Mourinho ao aeroporto de Lisboa.

A jornalista da SIC Notícias que entrevistou Santana Lopes justificou que a interrupção da entrevista se baseou em critérios editoriais. «Não houve intenção de desrespeitá-lo, tratou-se de uma decisão editorial», afirmou Ana Lourenço à Agência Lusa, sublinhando que a SIC Notícias «é uma estação que trabalha 24 horas» e que a chegada do ex-treinador do Chelsea ao aeroporto de Lisboa era «um assunto da actualidade que fazia parte do alinhamento».

Lá que a chegada de José Mourinho era “um assunto da actualidade” não há dúvida, tanto que aconteceu!!! Agora, que fazia parte do alinhamento!?!?!?. Uau. Porquê?

Algumas hipóteses:

1) Precisar a hora exacta da chegada?
2) Perguntar-lhe de onde vinha e/ou para onde ia?
3) Como tinha decorrido a viagem?
4) Verificar se viajava sozinho ou se, pelo contrário, era acompanhado pela mulher e/ou os filhos?
5) Perguntar-lhe pela 1000ª vez para que clube iria trabalhar?

Mas ainda que houvesse qualquer coisa de interessante a ver ou a perguntar-lhe tinha que ser transmitido em directo?

Pois parece-me que não; e se não, a decisão editorial foi errada. Acontece aos melhores.

A decisão editorial acertada (fala um burro) era o óbvio: deslocar os profissionais da SIC necessários ao aeroporto (e nem era preciso carro de exteriores), gravar a chegada e eventuais reacções do “chegado” e, já que "é uma estação que trabalha 24 horas", transmitir isso mais tarde, por exemplo, no final da entrevista ao Santana Lopes.

Assim não decidiram e deu no que deu.

O Ricardo Costa veio defender a sua dama lá da melhor maneira que pôde dizendo que Santana Lopes escolheu praticar uma “acção espectacular, muito ao seu jeito”.

Mas oh Ricardo Costa, então não é espectáculo que você procura?

Não foi espectáculo que pretenderam mostrar ao cobrir em directo a chegada do José Mourinho?

Pois se era espectáculo que queriam foi espectáculo que tiveram; embrulhem.

Ou será que, para o senhor, tudo é espectáculo legítimo desde que não seja você o bobo?

É que se é assim, este tipo de comportamento (e as pessoas que o praticam) tem nome (estou até a lembrar-me de vários): mas direi que é apenas incoerente.

Adenda às 22:00

A Direcção de Informação da SIC emitiu, pelos vistos, uma "nota".

Reza assim:

"A SIC entende que não faltou ao respeito a Pedro Santana Lopes e que a chegada de José Mourinho não era um elemento perturbador de uma entrevista para a qual tínhamos previsto cerca de 30 minutos.
A SIC Notícias é, seguramente, a televisão portuguesa que mais importância dá à política nacional. A atitude desproporcionada de Pedro Santana Lopes não altera a nossa linha editorial."

Só a SIC entende que não faltou ao respeito a Pedro Santana Lopes. Só a SIC entende que uma interrupção não é um elemento perturbador.

A SIC Notícias, sendo o único canal que emite 24 horas de informação, não só é o que mais importância dá à política nacional como também, suspeito, é o que mais importância dá à política internacional, ao desporto, à cultura, etc, etc, etc.

Só a SIC não vê que desproporcionado (e despropositado) foi o destaque dado à "aterragem" de José Mourinho na Portela.

Só a SIC não percebe a urgência que tem em mudar a sua linha editorial.

Como dizia o outro: cada cavadela, cada minhoca. Apre!

Diz o povo, e com razão, que não há pior cego do que aquele que não quer ver.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Palavras impossíveis de aturar



Confesso: há palavras que me irritam e inalienável é uma delas.

Inalienável soa-me a dogma, a sim porque sim, não porque não, em suma: a argumento dos sem argumento.

Hoje na TSF:

"Os trabalhadores desta empresa (Valorsul) responsável pelo tratamento do lixo nos concelhos de Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora e Odivelas não estão a cumprir os serviços mínimos exigidos num protesto contra a discrepância de aumentos dados à administração (30 por cento) e aos funcionários (1,5 por cento)."

"Em declarações à TSF, o sindicalista Delfim Mendes confirmou que a paralisação está a ter uma adesão de 80 por cento entre os cerca de 260 trabalhadores da Valorsul e que está terá consequências visíveis na acumulação de lixo nas próximas horas."

Sabe-se:

1. O direito à greve é um daqueles inalienáveis.

2. A obrigação de serviços mínimos é alienável.

3. A vergonha de políticos e sindicalistas há muito foi alienada: aqueles a troco de votos, estes a troco de números (que é a única coisa que lhes interessa: níveis de adesão); ambos a troco de tacho.

4. O direito dos cidadãos, completamente alheios ao circo, a não viverem suterrados em imundíce é alienável.

À nossa moda, a greve, por muitas voltas que se lhe dê, é uma chantagem criminosa; não teria a irrisória utilidade que tem se não fosse.

E para final conversa ...



Ele há mil e uma maneiras de manter uma conversa sem sentido, m
as muito menos de a terminar de forma inequívoca.

A propósito dos malfadados livros que não mudaram vidas, Abel Barros Batista (que eu infelizmente não conheço) citado pela Carla Quevedo (que eu também infelizmente não conheço) no bomba-inteligente diz:

"A única maneira de tornar a conversa aceitável, digamos assim, seria propor a quem nos dissesse que certo livro não lhe mudou a vida: «Bom, vamos lá então saber que vida tem sido a sua…»"

Genial.

terça-feira, setembro 18, 2007

terça-feira, setembro 11, 2007


Anda por aí uma corrente sobre “10 livros que não mudaram a minha vida” a gerar grande debate.

Tendo em conta o estatuto da maior parte dos “aderentes”, muitas das suas respostas são, no mínimo, surpreendentes; há quem as ache chocantes.

Coloquei-me na posição de convidado da corrente e pus-me a olhar para as estantes aqui ao lado e não encontro um único que me tenha mudado a vida. Não são muitos; serão talvez uns 500 livros. Comparada com a biblioteca de qualquer um deles é ... miserável.

É pois da esfera da lógica o problema que me assalta os miolos: como escolher (sim, trata-se de escolha) 10.

Só vejo uma possibilidade: são os 10 livros que melhor não-mudaram a minha vida (os que possuem algo que os diferencia dos outros que também não-mudaram, só que menos, em menor grau portanto. Pergunto: não deverão ser estes os escolhidos?!?!

Concordo com alguém (esqueci onde, peço desculpa) que disse que a pergunta era irrespondível.

É, também me parece.

Assim como me parece, estranhamente, tratar-se de um gesto de vaidade inconsequente e completamente desnecessário, tendo em conta (repito) o estatuto dos respondedores.

Lanço daqui um repto a quem interessar: “10 livros que não sabes de que forma não mudaram a tua vida”.

Links: há muitos, o bomba-inteligente tem quase todos.

sexta-feira, setembro 07, 2007




Américo de Sousa, no “retórica”, fala sobre a “prioridade das impressões sobre as ideias”.

É um assunto que me interessa bastante, na verdade, desde que li o Edgar Morin no “As grandes questões do nosso tempo” onde, muito no início, fala de “a componente alucinatória da percepção”.

Morin ilustra a ideia com um episódio vivido por ele próprio ao presenciar um acidente de viação em que um “2 cavalos”, passando indevidamente um sinal vermelho, chocou contra um motociclista.

Morin confessa que juraria por tudo que o “2 cavalos” tinha passado o sinal vermelho. Acontece que pouco depois pôde comprovar com outras pessoas que presenciaram o mesmo acidente que, de facto, tal não tinha acontecido: de facto, quem havia passado no vermelho tinha sido o motociclista.

Morin explica depois qual pensa ser o motivo da sua alucinada percepção, nomeadamente, a tendência para ajudar os mais fracos perante os mais fortes, etc.

Não se pode dizer que o caso da jovem entrevistada, de que Américo de Sousa fala, seja um caso de alucinação, mas assemelha-se bastante.

O caso da jovem que gostou muito da obra a satirizar Bush mas não sabe explicar porquê, parece-me ser mais exactamente, por um lado, um caso de impossibilidade de abarcar a complexidade do mundo que nos rodeia e, por outro lado, a necessidade que todos os que se julgam particularmente inteligentes e cultos (e nestes óbviamente se incluem os frequentadores de exposições, e bienais, e etc) sentem de ter algo a dizer sobre tudo; o Manel das Vacas não precisa de ter opinião sobre o aquecimento global ou sobre a guerra no Iraque, mas “eu” preciso.

É, no fundo, uma questão de ignorância: ela não sabe que não sabe; ela não sabe que não precisa de saber; ela não sabe o que teria de saber para ... saber.

Acontece que, a limitação do Manel das Vacas é a mesma da jovem intelectual: é impossível abarcar, em poucas palavras, a complexidade de um assunto como: defina George Bush.

Sublinho aqui a questão “intelectual” vs. “não intelectual” porque um não intelectual como o Manel das Vacas não tem dificuldade nenhuma em dizer que não sabe, que não tem opinião, que nunca pensou no assunto.

Seria aliás muito interessante ouvir o que tinha a dizer o artista sobre a sua obra. Embora saibamos todos do irrefutável alibi dos artistas: isto é o que é.

Mas concordo com o Américo; é um problema de interpretação: de que forma interpretou a jovem, e todos os que (acham que) têm opinião sobre o assunto, a monumental quantidade de informação (factos e factos-opinião) que foram produzidos sobre o assunto.

Depois há uma outra questão relacionada com a comunicação social: o repórter pergunta, ponto. E na minha opinião, falta-lhes a sensibilidade para detectar perguntas imperguntáveis. E aquela pergunta de que fala o Américo de Sousa é uma delas. É que a jovem, tendo opinião fundada, estaria ali a falar umas quantas horas para não dizer dias.

Complexidade por complexidade, continuo: o que responderia o repórter se a jovem respondesse com uma pergunta: “e porque pergunta isso?”

quinta-feira, setembro 06, 2007


um mundo possível

de todos os lugares longe como ontem
tu és talvez o mais próximo;
sei-o porque estendo
e sinto-te o contorno
fronteira inviolada.

mas um corpo é um país
sem língua conhecida
a viver em desgoverno
por isso os gestos
e os equívocos
são muito necessários.

recuaremos ao tempo
da formação das ilhas,
da medição dos espaços
com aparelhos imprecisos,
do fogo a forjar objectos
nunca vistos;

recuemos até antes das florestas
quando paisagem não se dizia assim.


David Augusto Fernandes

terça-feira, setembro 04, 2007


Larry Craig é (era) senador republicano há 16 anos consecutivos.

Era, porque se demitiu; parece que foi apanhado em comportamento impróprio com um polícia à paisana no urinol do aeroporto de Minneapolis.

A historieta, enfim, tem contornos de delírio.

Então um senador de 62 anos, conhecido pela sua luta contra os casamentos gay, oposição à presença de homosexuais nas forças armadas, é apanhado num urinol de um aeroporto (não é na casa de banho; é no urinol) em comportamentos impróprios com outro homem? Não teria o homem forma mais discreta de saciar o seu gosto por "maçaroca" - na expressão de Eduardo Pitta?

Parece que o senador foi conduzido à polícia, se declarou culpado de “conduta lasciva” e pagou uma multa de 500 dolares.

Eh pá; eu até nem sou nada de teorias conspirativas, mas que a história me soa estranha, lá isso soa.

Enfim, o tipo demitiu-se e portanto, raciocínio consequente, assume a sua condição.

Eduardo Pitta
não só dá eco à estória, como contextualiza o episódio no tempo recente da vida americana. Parece que há mais casos: o de um congressista obrigado a demitir-se quando se soube que assediava rapazes que trabalhavam no Congresso e um outro detido quando aliciava um polícia negro a o acompanhar até “debaixo de uma ponte, onde era mais sossegado” a troco de 20 dolares.

Um minuto; estou a visualizar o quadro.

A verdade é que não consigo perceber o que realmente pensa Eduardo Pitta sobre o assunto:

Será que concorda com as demissões?

E porquê?

Porque um senador faz figuras tristes com um homem (por acaso polícia à paisana) num urinol? Ou porque um senador “anti gay” e “homofóbico” se coloca nessa posição?

Porque um congressista assedia rapazes que trabalham no congresso ou porque assedia pessoas sobre as quais tem qualquer tipo de poder?

A mim parece-me perseguição homofóbica.

Também não entendo como se pode concluir que "gostar de maçaroca" implica ser-se a favor da presença de homosexuais nas forças armadas ou defensor do "casamento homosexual".

Enfim, não percebo, pronto.

Diz Eduardo Pitta que infelizmente para o senador, a história não morreu na esquadra da polícia. Digo eu: infelizmente para nós que estas histórias chegam alguma vez a ter vida.

Confesso-me seguidor assíduo do daliteratura mas este post, caro Eduardo permita-me, saiu completamente ao lado.

De qualquer forma, realmente, a etiqueta “homofobia” não podia ser melhor aplicada.

segunda-feira, setembro 03, 2007



O Vento

Posso ouvir o vento passar
assistir à onda bater
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...
Eu pensei
que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar.
Um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás?
Por que será?
...vou pensar.

- Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
- Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi,
o vento leva!
- Não sei mas
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer...
e isso por que?
Diz mais!
Uh, se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem então
o que resta é chorar e talvez,
se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.
Um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
lento o que virá
e se chover demais
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
Só de encontrar... ah!...

Rodrigo Amarante
Los Hermanos

terça-feira, agosto 28, 2007

20 minutos sem nada de especial para fazer:

"Paranoimia" - The Art of Noise
"Cruel Summer" - Bananarama
"Manic Monday" - The Bangles
"Can't stop the Ranch"- Bunnyranch
"Talking Hearts" - Carla Bley
São Vicente di longe" - Cesária Évora


A ordem é alfabética.

Isto deve querer dizer alguma coisa.

terça-feira, agosto 21, 2007


Passo todos os dias pela livraria depois de almoçar. Agora ando atrás de livros/revistas/sites sobre vela. Pois é; vou construir um veleiro e correr mar.

Adiante.

Passo pela livraria e hoje havia “novidade”: PÂNICO de Jeff Abbott.

Na capa do livro pode ler-se:

“Um dos melhores livros do ano” e quem o diz é Harlan Coben.

Espantosas coisas se dizem ... e a gente nem refila.

Como é possível alguém, mesmo que seja Harlan Coben (seja ele quem for), dizer semelhante coisa?

Não é o raio do artigo indefinido que me irrita. É o facto de Harlan Coben ter lido TODOS os livros do ano.

Adenda às 16:46
Pensando melhor, afinal não precisa de ter lido TODOS os livros. Num certo sentido o que ele diz é uma verdade absoluta.

Imaginemos que no ano se publicaram 10000 livros. O pior deles, é ainda assim um dos melhores; mais precisamente o 10000º melhor.

segunda-feira, julho 16, 2007

George Oppen

Se um poema existe apenas na leitura, então, devo dizer que há poemas sem sentido. Nada. Não apontam nada, sítio nenhum. Uma coisa inútil. Uma lástima.

Claro que ao poeta (o autor, o criador) não se lhe podem assacar responsabilidades.

Não acho que seja questão de ter ou não ter respeito pelo poeta. Como em poucas actividades, não é fácil (pelo menos a mim) descobrir um falsário. Aí talvez fizesse sentido a questão do respeito ou desrespeito. Não é o caso.

Não é fácil, mas também não é impossível.

A poesia é liberdade, arrisco: do poeta e do leitor; estão muito bem assim cada um no seu fazer e se o acaso aparece de permeio, seja bem vindo.

Cito George Oppen que numa entrevista, falando de Ezra Pound (que dizia que a poesia devia ser tão boa como a prosa) disse mais ou menos o seguinte:

"a poesia deve ser tão boa como a prosa, etc."
Esta era a frase de Pound à qual Oppen acrescenta:

"deve aliás ser tão boa quanto o silêncio absoluto".

Acrescento que George Oppen faleceu vitimado pela Doença de Alzeimer.

Talvez tenha nesse último momento, imerso no silêncio mais absoluto, feito o seu mais belo poema: o tal tão bom como ...

Tenho uma tendência absurda para confundir o homem com o poeta e para me encontrar apaixonado (na falta de palavra mais exacta) pela poesia por via do homem.

Provavelmente, isto quer dizer que não creio na poesia feita com intuito que não o de .. fazer poesia.

Novamente Oppen: parou de escrever poesia durante 25 anos (25!!!) enquanto se dedicou de forma mais "séria" ao activismo político.
25!!!! Dizia ele que uma e outra actividades acabariam por se "contaminar" irremediavelmente.

Creio que somos o que dizemos, não tenho muitas dúvidas, por isso estou perfeitamente convencido de que se percebe o meu pouco apreço pela poesia de caracter panfletário (político, vá). E bem sei que Portugal é muito rico nesse particular. Bem sei o que me pode custar ter esta maneira de ver a coisa.

Só para explicar a admiração pelo George Oppen, um homem (e uma mulher - Mary Oppen) admirável(eis); uma vida admirável.
... aliás muito prejudicada por essa amizade com Ezra Pound de quem politicamente se encontravam tão longe quanto se possa imaginar.

Apesar disso ...

sábado, julho 14, 2007

A maravilha dos livros

Há livros que maravilham. Uns inteiros outros menos. Algumas vezes nem se sabe bem porquê. É assim.

"Hoje não" do José Luís Peixoto, editado pelas Quasi(1) e distribuido baratinho com a revista Sábado(2) reune seis contos, cinco deles anteriormente publicados no Jornal de Letras, apresentando este volume versões revistas dos mesmos.

Este livro, não é um daqueles que maravilha inteiro, tão pouco é daqueles que deixa marca nas células do corpo que nasceram durante a sua leitura.

Seja como for é um livro delirante, absolutamente delirante. Veja-se bem o que podemos ficar a saber ao lê-lo:

"O que fazer quando se recebe um avião comercial de passageiros"
"Como reagir à queda súbita de todos os dentes"
"Como comunicar com a melhor poetisa do Quirguistão"
"Quem inventou o :)"

O que me leva a escrever algo sobre este livro são duas frases (duas!!!) no conto ":-) e :-(", precisamente o único inédito.

"Inclinando-me pela janela, conseguia ver os carros que se sucediam na Avenida da Igreja. Compará-los a sangue nas artérias seria uma comparação evidente, de tom algo grosseiro, mas exacta."

O conto não seria diferente sem estas frases; é um facto. Mas estão lá e ainda bem. Podia parar a leitura; estou satisfeito.

Fico maravilhado com o óbvio; com o desnecessário. Um livro deve ter aquilo que é preciso que tenha; dê lá por onde der.

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sexta-feira, julho 13, 2007

Bate certo!!!
1



The Persistence of Memory, c.1931 por Salvador Dali

- O que farias se te dissessem: tens 1 minuto de vida?
- Respirar como sempre faço. E decerto que não ia pensar nisso.

É uma resposta consequente: aparentemente, em 1 minuto não é possível fazer muita coisa; provavelmente, não seria sequer suficiente para pensar na situação.

E essa é a questão: não há forma de se saber se vale ou não a pena pensar.

terça-feira, junho 26, 2007

Valores para o nosso tempo
Ando sempre atrasado. Sempre.

Só por estes dias me tenho entretido com o livro “Impasses” - aquele ali - e confesso: estou rendido à sua clareza, ao seu “despreconceito”, à coragem dos autores. É uma daquelas obras brilhantes, de interrogação, de convite à abertura de espírito, de convite ao pensamento LIVRE.

Notável.

Deu-me para pesquisar reacções ao dito livro e claro – confesso aqui um cheirinho de preconceito - já sabia o que iria encontrar.

A maioria das críticas aparecem em blogs (quer sob a forma de posts quer sob a forma de comentários) e em meia dúzia de linhas (às quais terão dedicado alguns minutos - em duas penadas portanto) pretendem contrariar – com ou sem argumentos - o que os autores procuram dizer num livro ao qual terão dedicado, no mínimo, algumas semanas; enfim.

Não me parece que se possa categorizar estas críticas como má fé; são apenas fruto de “indigência intelectual”.

Já quanto a um artigo que encontrei no Esquerda (1), bom, má fé penso ser pouco para o definir.

O artigo dá notícia de uma conferência realizada pela Fundação Gulbenkian subordinada ao tema “Valores para o nosso tempo”.

Começa assim:

«Nos dias 25,26 e 27 de Outubro de 2006, a Fundação Gulbenkian realizou um importante Conferência subordinada ao tema "Que Valores para o Nosso Tempo".»

E a determinada altura informa (sublinhados meus):

“O responsável pela Conferência foi o filósofo Fernando Gil, recentemente falecido.
É dele o texto que segue, de apresentação da Conferência. Interessante lembrar que Fernando Gil defendeu, num livro escrito de parceria com Paulo Tunhas e Daniéle Cohn, "Impasses", a agressão brutal da coligação EUA/Reino Unido ao Iraque como necessidade absoluta para defesa do ocidente! Infelizmente já não pôde ver, em toda a sua plenitude, o êxito da missão em que Bush se empenhou.”

Segue-se o referido texto de apresentação da conferência e mais abaixo o texto da comunicação de Eduardo Lourenço.

Pergunto: porque é “importante lembrar ....” ??

Como é possível dizer que “Fernando Gil defendeu a agressão ...” ??

Que prazer existe no inominável cinismo de um: “Infelizmente já não pôde ver ...” ??

Será má fé ??

Será apenas indelicadeza para com a memória de um homem que já não pode defender o seu pensamento a não ser pelas obras que deixou, e essas, pelos vistos, não as compreende o autor do artigo?

Será “indigência intelectual” ??

Estupidez é com toda a certeza.

Serão a estupidez e o cinismo alguns dos “valores para o nosso tempo”, este nosso desgraçado tempo ?


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sábado, junho 09, 2007


O meu chapéu cinzento é um livrinho admirável de Olivier Rolin e compra-se por 1.50€

O texto da badana diz:

"O Meu Chapéu Cinzento, de Olivier Rolin, transporta-nos, numa extraordinária viagem, da Alexandria de Cavafy e Durrell à Lisboa de Fernando Pessoa, à Atenas de Melina Mercouri, à Goa de Tabucchi, aos Açores de Antero e dos pescadores de baleias...
Recusando embora a classificação de escritor de viagens, Rolin demonstra aqui, porém, a velha e frutuosa ligação que a viagem e a literatura estabeleceram desde que Homero fez Ulisses voltar a Ítaca..."

Para abrir o apetite:

"... as viagens não são mais do que veleidades de exílios, tal como há suicídios falhados."

"As línguas são monumentos tão interessantes como as Pirâmides ou o Parténon. Por que não havemos de visitá-las? Não traríamos delas recordações?"

"... Cavafy escreveu isto, que não tem nada de genial: é simplesmente bastante verdadeiro."

"Lemos um desses livros cujo objecto é uma cidade e depois, ao desembarcarmos um dia pela primeira vez, constatamos que nada mudou desde que nunca lá estivemos."

"... E não me venham dizer que as sombras são negras. Negras! Vão dizer isso a outros... Talvez em Mans, quando as há, ou então em Clermont-Ferrand, lugares de poucas frases, que os seus habitantes me perdoem."

Confesso a minha aversão a sentenças mas não há como contrariar a verdade.

sábado, maio 05, 2007

Estava mesmo a precisar de algo assim:


quinta-feira, abril 19, 2007

João César das Neves (economista e professor universitário na Católica) opina hoje no Destak sobre ... SEXO!

O título da coluna de opinião é “Sexo à esquerda” e JCN discorre sobre uma notícia de um discurso que o primeiro ministro fez em Leiria no passado dia 13.

Diz JCN que, nessa notícia, há uma passagem muito reveladora e transcreve: “Para aqueles que acusam o PS de não ter políticas de esquerda, Sócrates deu o exemplo de três leis: a Lei da Paridade, a Lei da Procriação Medicamente Assistida e a Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez”.

“Esta declaração é insolita”, afirma JCN e justifica:

“O elemento mais surpreendente é que os três diplomas que, na sua (do primeiro ministro) opinião, manifestam a especificidade política do Executivo nada têm a ver com os reais problemas do país. Estamos a passar por um período difícil, com exigentes desafios e decisões a enfrentar. Mas os ministros expressam a sua orientação ideológica só em pontos menores, todos relacionados com o sexo. Onde, aliás, se pode questionar a intromissão de políticos.”

Que JCN questione a intromissão de políticos em “pontos relacionado com sexo” e NÃO QUESTIONE a intromissão da Igreja nos mesmíssimos pontos, tanto se me dá; é lá com ele.

Agora, que JCN considere estas leis como estando relacionadas com SEXO, é de bradar aos céus.

A da IVG e a da PMA, com bastante esforço ainda consigo lá chegar, mas a da Paridade ... (alguém me elucida que eu não estou a ver?!?!?)

Mas não se fica por aqui. Um pouco mais abaixo diz:

“O facto de a sua especificidade (política do Executivo) se definir apenas no baixo-ventre levanta, obviamente, muitos problemas à relevância das forças de esquerda”.

Baixo-ventre ?!?!?!?!

Desculpe senhor JCN, disse: “BAIXO-VENTRE”?!?!?!

Quanto à IVG já sei a sua opinião, obrigado. Mas então ... um casal que, por dificuldades em conceber um filho, procure ajuda médica, tem um problema de .... BAIXO-VENTRE?!?!?! Tipo: nasci com isto avariado.

E uma mulher discriminada apenas por questões de género (ou sexo, como prefere o senhor) tem um problema de BAIXO-VENTRE?!?!?! Tipo: nasci com isto.

Enfim, quem o viu no debate “contra” o Daniel Oliveira na altura da campanha para o referendo sobre a IVG, sabe o quanto um homem aparentemente inteligente e sensato pode revelar-se um trauliteiro trocatintas e cínico e, como tal, não estranhará nunca mais as suas opiniões disparatadas. Mas eu confesso que me pareceu que tal comportamento se deveu apenas ao calor da “disputa”. Vejo agora que não: o senhor JCN é mesmo assim e eu não gosto de pessoas assim.

terça-feira, abril 17, 2007

Kurt Vonnegut


Morreu Kurt Vonnegut. Nunca tinha ouvido falar nele, e agora estou com vontade de saber coisas.

O seu último livro “A Man Without a Country” de 2005 ("
Um homem sem pátria", Tinta da China, 2006) termina com o seguinte poema.

Requiem

When the last living thing
has died on account of us,
how poetical it would be
if Earth could say,
in a voice floating up
perhaps
from the floor
of the Grand Canyon,
“It is done.”
People did not like it here.

Tenho mesmo muita vontade de conhecer melhor o senhor.
A autoridade em Portugal está pelas ruas da amargura arrastada pela amargura das ruas por onde se passeia uma comunicação social cada vez mais sensacionalista.


O mais recente "caso" Jornal Público vs. Sporting é mais um exemplo elucidativo e preocupante. E a minha preocupação reside no facto de ser o Jornal Público; se fosse o 24 Horas, de facto, não estaria tão preocupado. Um por um, acabam os orgãos de comunicação social em que podiamos confiar.


As repercusões da decisão do STJ, convenientemente amplificadas pelo jornal (o próprio), foram de tal ordem que pudemos ouvir as mais violentas reacções vindas de pessoas que eu tinha por inteligentes e bem formadas.


Acontece que sempre me pareceu que os juizes do STJ (tal como todos os outros) não seriam os idiotas que me estavam a fazer crer as tais pessoas, mas de facto, tudo apontava para que fossem.


Falei do assunto com um amigo, juiz, que me fez o favor de elucidar sobre alguns pormenores relacionados com o caso.


Segue o email do meu amigo:





Percebi a tua admiração pela notícia da decisão do diferendo Público – Sporting
Só que
É fácil dizer que o jornal foi condenado por publicar uma notícia que se veio a saber ser verdade, retirando-se "passagens" da decisão para reforçar essa tese e não se indo ao fundo da questão, explicando-se aquilo que foi decidido.
Para que possas compreender melhor as coisas, chamo-te a atenção para o seguinte:




Como se diz no Acórdão do STJ : "
A violação do disposto no artigo 484º do Código Civil (ofensa do crédito ou bom nome) não depende da veracidade ou não do facto divulgado, pelo que a ilicitude do facto não é afastada pelo cumprimento ou não das exigências da verdade".
Assim, por exemplo, se um jornalista resolver noticiar que determinada mulher, durante as últimas férias, dormiu com sete homens diferentes, um em cada dia da semana, facilmente se compreende que, mesmo que o jornalista prove que isso foi verdade, isso não o exclui da possibilidade de cometer um ilícito, por ofender o bom nome da pessoa em causa. A reputação dela foi lesada perante todos, e como tal há, em princípio, ilícito. Apenas não haverá se se considerar que havia uma "causa de justificação" para a conduta do jornalista.
Para, então, se determinar se a conduta do jornalista era ou não justificada havia que fazer uma ponderação de interesses, e ver qual é o que devia prevalecer:
- se o direito da mulher em causa ao crédito e bom nome;
- se o direito à liberdade de imprensa.
Ora, em tal caso, apenas poderia prevalecer o direito à liberdade de imprensa, se se considerasse (provasse) que, no caso em concreto, havia um interesse (público) relevante para noticiar a situação. Assim não sendo, devia prevalecer o direito que cada um de nós tem à privacidade e ao bom nome.



Como vês, retirou-se uma frase do Acórdão para se passar uma "mensagem" favorável aos jornalistas, mais uma vez procurando fazer dos juízes lunáticos totalmente desligados da realidade e "ressabiados" com os jornalistas.




Os jornalistas não foram condenados por noticiarem factos verdadeiros que foram considerados ofensivos do bom nome do Sporting
Os jornalistas foram condenados, sim, por darem uma notícia repleta de afirmações que insinuavam que o Sporting (mesmo após a celebração e início de execução do acordo firmado com o Governo – Plano Mateus) tinha um calote fiscal enorme que tinha escondido da Administração Fiscal, daí partindo para falar na existência de um crime fiscal e na possível aplicação de penas de prisão para os dirigentes.
Quando o que se passou (mais ou menos) foi o seguinte:
- é verdade que o Sporting tinha uma dívida fiscal bastante grande (460 000 000$);
- antes do acordo do Governo com o Sporting, a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais apurou quais eram, até 31 de Julho de 1996, as dívidas do clube à Administração Fiscal, tendo o valor das mesmas sido incluídas no requerimento que o Sporting, depois, teve que apresentar no âmbito do Plano Mateus.
- O Sporting começou a fazer todos os pagamentos a que se vinculou, desde a aprovação do seu requerimento para a adesão ao Plano Mateus, mantendo-se plenamente cumpridor perante a Administração Fiscal.
- Dado que a Administração Fiscal, quando fixou em 1996 o valor da dívida global para ser considerada para efeitos da dação em pagamento, ainda não tinha concluído as acções de inspecção sobre os clubes de futebol, a mesma veio a apurar mais tarde que existiam dívidas dos clubes que não tinham sido contabilizadas, o que gerou alguma polémica ao nível da Administração Fiscal sobre o procedimento a adoptar para cobrar as mesmas, no caso do Sporting a tal dívida de 460 000 000$



Ou seja:
O Público em vez de noticiar aquilo que efectivamente se passava, avançou com grandes "parangongas" a dizer que o Sporting tinha um calote enorme, falando em crime e em penas de prisão para os dirigentes.
Assim,
A condenação não foi por causa dos factos (verdadeiros) que foram noticiados, mas sim por causa do jornal ter envolvido os factos com insinuações (deturpadas) lesivas do bom nome do clube e seus dirigentes. Como se diz no Acórdão:
"De qualquer modo, na sua estrutura objectiva e pelo sentido que os leitores deles podiam razoavelmente extrair, os factos noticiados não correspondiam à situação envolvida pela relação jurídica tributária encabeçada pelo recorrente e pela Administração Fiscal.
O que passou para a opinião pública foi, conforme se considerou nas instâncias, a ideia de que o recorrente não cumpria as suas obrigações fiscais, que retinha indevidamente impostos e contribuições para a segurança social, o seu incumprimento a participar pela Administração Fiscal, e terem os seus dirigentes cometido o crime de abuso de confiança fiscal a que corresponde pesada pena de prisão. Verifica-se, assim, que o conteúdo do noticiado não se resume à mera informação de factos de pretérito, certo que ele assume uma vertente jornalística de opinião. Além disso, envolvem os referidos factos considerável pormenorização e, dada a credibilidade do órgão de comunicação que a emite, o universo dos seus leitores e o respectivo estrato social, assumiram a virtualidade de objectivar a eficácia do convencimento dos destinatários da comunicação quanto à sua realidade e, daí, a sua potencialidade de consecução de efeito nocivo em relação à personalidade moral do recorrente".




Admito que a questão não é líquida.
Admito que, seguindo-se a linha da decisão do STJ, muitos jornais correm o risco de fecharem, por estarem cheios de notícias sensacionalistas (e, no fundo, foi isso, que o Público fez: exagerou de forma sensacionalista uma notícia com um fundo de verdade).
Tanto não é líquida a questão que os jornal foi absolvido na 1ª instância e também na 2ª instância (Tribunal da Relação), apenas tendo sido condenado pelo STJ (e ainda está pendente recurso no Trib. Constitucional).
Agora o que é certo é que o STJ não cometeu disparate nenhum, tendo assumido uma posição da qual se pode discordar, mas que não é absurda, tem lógica, está fundamentada e, se bem compreendida e explicada, seria se calhar defendida pela maioria daqueles que agora a criticam.



Um abraço.

terça-feira, março 13, 2007

A amizade é ...


Pode ler-se aqui um post sobre a importância de ter amigos.

O autor do post dá eco a um estudo publicado na revista Veja e reproduz algumas, não sei se todas as, conclusões.

São elas:

a - Durante a adolescência, passamos mais de 30 por cento do nosso tempo com amigos. Na vida adulta, menos de 10 por cento.

b - Ao longo da vida, acumulamos cerca de 400 amigos. Mas mantemos contacto com menos de 10 por cento deles.

c - Temos uma ligação directa, em média, com pelo menos 30 pessoas. Destas, só seis são consideradas amigos próximos.

d - Quem tem um melhor amigo no escritório é sete vezes mais criativo no trabalho.

e - Quem tem um sólido círculo de amigos é 70 por cento mais feliz no casamento.

f - A tensão arterial das pessoas mais solitárias é três vezes mais alta do que a das que vivem acompanhadas.

g - Acima dos 65 anos, há três vezes mais mortes entre os solitários do que entre os que convivem regularmente com amigos, parentes ou cônjuges.

Eu não tenho nada contra estatísticas mas creio que é preciso alguma dose de bom senso para tirar conclusões dos seus resultados, bem como predispôr o espírito à critica.

Vejamos uma por uma, as conclusões acima:

a – Será que escola, trabalho ou estado civil terão algo a ver com os números encontrados?

b – Menos de 10%? Hmm, 9%? Ok, tomemos 9% de 400 o que perfaz 36 amigos. Mantemos contacto com 36!!! amigos? Vou repetir: 36????

c – Neste caso o estudo optou por utilizar a média, ou melhor duas: por uma lado 30, por outro 6. Não seria mais esclarecedor fundir as duas e dizer : “Em média, consideramos amigos próximos 20% das pessoas com quem temos uma ligação directa”? E nem falo do adjectivo (próximos) que só aparece aqui, à 3ª conclusão.

d, e – Estas são das minhas preferidas e muito utilizadas em publicidade a cremes de beleza. O que é isso de 7 vezes mais criativo ou 70% mais feliz?!?!

f – Considerando como normal uma tensão arterial de, digamos, 11/7, uma pessoa solitária terá uma tensão de 33/21?!?!?! Mesmo que EM MÉDIA?!?!?

g – Será que acima dos 65 anos há 3 vezes mais pessoas solitárias do que a conviver regularmente com amigos, parentes ou cônjuges? E porque se juntaram parentes e cônjuges a este cálculo e não aos outros?

Que um amigo não tem preço, como conclui depois o autor do post, já se sabia: sabe talvez quem o tem, sabe certamente quem o perdeu. Mas se alguém pretender tornar isso uma verdade científica (vá-se lá saber porquê) que o faça ao menos com números (ou qualquer outra técnica) com PÉS E CABEÇA.

Ou então recorra aos poetas que, sim, servem para alguma coisa.

Enfim; é por estas e por outras que comemos satisfeitos da vida cada numerinho que nos impingem uns e outros.

segunda-feira, março 12, 2007

Mudanças!

Que as coisas mudem; que os promotores queiram mudar o patrono; eu até nem sei se isso é uma coisa assim muito má.

O que me espanta é que os promotores (Casino Estoril), com a mudança, não se apercebam de que, ao contrário do que suspeito ser a sua intenção, estão a desrespeitar, não o Fernando Namora (se é que tal coisa é possível) mas, a própria Agustina (graças, graças ainda viva) e que se saberá patrona a prazo de um prémio literário.

É ridículo, pois é.

sábado, março 10, 2007

A Floribela terminou hoje.

Andaram meses a encher couriços: não havia meio de o príncipe e a criadita realizarem o seu amor. Eis que quando finalmente, depois de todos os avanços e recuos, o casalito se decide, o dito príncipe morre num acidente.

Nada contra uma Cinderela com final heterodoxo; afinal era o final do suplício.

Pensava eu.

Como o enchimento de chouriços já começava a raiar o absurdo (até as minhas filhas de 8 e 10 se começavam a fartar daquilo) mas o negócio valia apena, a produção resolveu fazer o príncipe "voltar" do céu e encarnar no corpo do coitado que, assim não quis o destino, deveria ter morrido na sua vez.

Está pois assim garantido o enchimento de mais chouriços durante largos meses na tão esperada, e adivinhada, sequela.

Eu é que não caio noutra: SIC, proibição total e absoluta; vão chamar estúpido a outro, apre!!!!


"Não há passos divergentes para quem se quer encontrar."

Jorge Palma

segunda-feira, março 05, 2007

NÃO PASSARÁ!!!


A OPA da SONAE sobre a PT morreu antes de se saber se o mercado estava interessado no negócio.


O estado manteve-se neutro: o seu representante ausentou-se da sala na altura da votação. A desblindagem dos estatutos, condição necessária, foi chumbada com, entre outros, os votos da Caixa Geral de Depósitos.


Parece que os acionistas que votaram contra estão contentes com os resultados da empresa.


Estão também contentes com as promessas do Dr. Granadeiro de distribuir 6000 milhões de euros pelos accionistas até 2009 ou coisa que o valha.


Segundo andou a pregar o queixoso Dr. Granadeiro, a empresa está "parada" há quase um ano. Ainda assim, os resultados foram bons e até dá para distribuir 6000 milhões de euros.


NOTAS:


- 6000 é basicamente metade dos 11800 que a SONAE estava disposta a desembolsar pela totalidade do capital. Realmente assim ... é negócio: recebem 6000 e mantêm as acções.

- o estado manteve-se neutro já que a CGD é, como se sabe, uma empresa marroquina.


Está pois esclarecida a dúvida do Eduardo Pitta.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007


Afirmación, Manuel Clement Ochoa
Afirmación, Manuel Clemente Ochoa



UMA AFIRMAÇÃO

?A que temperatura
lá fora
acontece isso
dessa lista;

?Onde estava aquilo
que a cresceu agora
mais tarde;

?Que é de mim
embora pouco importe
então como aqui.

Significado não é
atributo das coisas
eu sei

mas ?não é viver
acumular a quem perguntar
mais do que tempo?

David Fernandes

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O dia seguinte

Na abertura das jornadas parlamentares do PS, esta tarde, Alberto Martins, tratou também de reafirmar os avisos aos partidos da oposição e aos movimentos cívicos: ninguém vai fazer a nova lei pelo partido socialista.

«Não haverá naturalmente aconselhamentos obrigatórios, à revelia do que foi o mandato popular», frisou ainda.

«uma vitória do progresso e da modernidade, uma vitória do grupo parlamentar», considerou ainda o mesmo senhor.

Este era precisamente o meu receio, único degrau que tive que transpor para votar SIM no passado Domingo. O senhor Martins está a um passo de transformar esse degrau em sapo que hei-de engolir.

Não senhor Martins, não foi uma vitória do grupo parlamentar; foi de todas as pessoas, associadas em grupos ou não, que lutaram pelo SIM; foi das mulheres portuguesas em particular e de Portugal em geral.

Não haverá aconselhamento obrigatório? Por acaso até não sei porque não há-de haver.
Mas, "à revelia da vontade popular" ?!?!?!?

Não senhor Martins, o povo que o senhor está a chamar de estúpido, não votou em nenhuma lei, respondeu a uma pergunta simples (como V.Exa. não se terá cansado de referir) e, E, confiou que depois disso, os senhores e a Assembleia iriam fazer o melhor possível.

O senhor prefere tirar dividendos políticos da situação: está bem.

Mas olhe que na minha opinião, aproveitar-se politicamente do resultado de um referendo, ainda por cima deste, para mim só tem um nome: pulhice.

O senhor está a mostrar o que de pior tem a política.

Não faça isso, não humilhe dessa maneira tanta gente de boa fé.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Da amizade

Os “voos da CIA” ainda são notícia.

Desde sempre me pareceu razoável e até plausível que tal coisa tenha de facto acontecido. Afinal, os EUA são um estado amigo de Portugal e não me espanta que tais cumplicidades se estabeleçam entre “amigos”.

A insistência na questão advém de lutas políticas caseiras (especialmente de tipo fratricida) mais do que outra coisa qualquer; a “ilegalidade” é apenas máscara. Atrocidades muito mais graves são diáriamente cometidas contra inocentes (não alegadamente inocentes) e ninguém lhes passa cartão. Adiante.

Ora, se é plausízel que aquelas cumplicidades acontecem, a minha dúvida é a seguinte e de fácil resposta: Quem é mais amigo de Portugal: eu ou os EUA?

Correrei riscos ao, por exemplo, criticar abertamente o Senhor Bush? Estarei a salvo daquele tipo de amizade entre estados? Poderei contar com Portugal?

Não adianta ter medo se só posso contar comigo e com os meus, que como eu são menos amigos de Portugal do que os EUA.

terça-feira, janeiro 23, 2007


Conjectura número tal

A verdade é que, de tudo o que não tem utilidade, talvez apenas de ti me seja difícil prescindir; ainda que saiba perfeitamente que te bastas, ou assim me parece e desejo.

E esse facto preocupa-me; digo, ter contacto apenas com o que utilitário, me permite viver com conforto.
Se a felicidade existe é coisa de grande inutilidade e desconforto; já uma conjectura ainda terá algum uso

... e explicação.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Sim, porque não, ou ... não, porque sim.

No canhoto já o haviam dito, eu concordo e verifica-se: a campanha do SIM é uma lástima.

Veja-se este cartaz.



Mas, mas: sim?!?!?
Ahh! Não.
Isto é: NÃO à abstenção para manter o aborto clandestino ... e para isso deve votar-se SIM.
... clarinho como água.
Ou ainda mais claro:
Não se abster é ir votar, certo?? Independentemente do "lado". Ou não?
... pffiiiiiiu que assim a coisa tá preta.

Eu cá não percebo puto de marketing e/ou publicidade mas parece-me, no mínimo, hilariante.

Mas a "coisa" tá armada à partida, digo, na própria formulação da pergunta sobre a qual vamos votar; basicamente o que nos vão perguntar é:

"Acha que não é crime interromper a gravidez .....?"
Como é que se deve responder?
Não, acho que não é.
Sim, acho que não é.

Confesso; estou baralhado.


Assertivo (Lat. assertivu), adj. Que encerra acerto; afirmativo.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Multidão 2


Eu, tu, ele, nós, vós, eles

Li há pouco dois argumentos de um defensor do NÃO que ainda não conhecia (os argumentos, que o adepto continuo a não conhecer).

São eles:

“Coloquemo-nos na pele do outro; coloquemo-nos na pele do embrião que já sente e tentemos imaginar o que será sermos cortados em pedaços a sangue frio ou envenenados. E não é um embrião qualquer, é o nosso futuro filho.”

“Acho que se trata verdadeiramente de um crime horrendo (matar o próprio projecto de filho!)e não compreendo como é possivel que se faça.”


Ora não “compreende como é possível que se faça” mas, ao usar isso como argumento, mostra que crê que compreende tudo o que há para compreender.

Aqui está o cerne de uma questão infelizmente presente neste como em todos os referendos e eleições: o EU quando o que faz falta é pensar o NÓS, principalmente no que isso tem de não-EU.

Apetece devolver o conselho: “coloquemo-nos na pele do outro”; não do embrião que isso parece ser muito difícil; é bem mais fácil: “coloque-se cada um na pele de um semelhante a si”. E não só neste referendo mas em todos os referendos e eleições que venham a acontecer.

Com o tempo aprenderemos a fazer isso durante o resto do tempo também.

domingo, janeiro 07, 2007


ESPIRAL

quantos como eu
um agente secreto
muito incompetente
- espião ao contrário
de um país
que é
e
nada.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

"Quem muda seus males estuda"

Mudei o aspecto da coisa e os comentários foram-se. Não eram muitos mas eram bons e queridos. Enfim. Eram tantos que, não só mas também por isso, me lembro de cada um deles. Obrigado.
Pelo SIM à despenalização da IVG ou pelo SIM ao aborto, resumindo: pelo SIM, seja lá por que motivo for.

O referendo à despenalização da IVG está a dar que falar e está a custar-me perceber porquê; sinceramente.
  • Não é óbvio que não se pode julgar uma mulher que recorre à IVG?
  • Não é óbvio que um dentista sem habilitações é um criminoso?
  • Não é óbvio que despenalizar pode significar tudo menos combater a clandestinidade?
  • Não é óbvio que o recurso a “clínicas” de vão-de-escada não tem nada a ver com penas, tão pouco com dinheiro?
  • Não é óbvio que despenalizar não significa incentivar?
  • Não é óbvio que os números apresentados por gregos e troianos não têm a mais pequena hipótese de confirmação?
  • Não é óbvio que uma IVG não poderá estar sujeita a lista de espera?
  • Não é óbvio que há problemas de saúde pública de resolução muito mais urgente?
  • Não é óbvio que uma gravidez é evitável e até (já) interrompível?
  • Não é óbvio que o assunto diz respeito à mulher como ao homem?
  • Não é óbvio que as questões de ordem moral (psicológica) se sobrepõe às de ordem física?
  • Não é óbvio o significado da palavra “des-pe-na-li-za-ção”?
  • Não é óbvio que “despenalizar” não significa automaticamente “criar condições para que o sistema de saúde público trate do assunto”?
  • Não é óbvio que (felizmente) a maioria das pessoas (de ambos os lados) que argumenta sobre o assunto não faz a mais pequena ideia do que é passar por isso?
  • Não é óbvio que ser a favor da despenalização (do “sim”, para ser claro) implica ser militantemente contra o aborto?
  • Não é óbvio que ser contra a despenalização (do “não”, para ser outra vez claro) implica ser militantemente contra a ignorância?
  • Não é óbvio que a religião professada tem tanto a ver com o assunto como o concelho de naturalidade?
  • Não é óbvio que a competência de legislar cabe à Assembleia da República?
  • Não é óbvio que ninguém melhor que o governo tem (ou deveria ter) a informação relevante para decidir sobre o assunto?
  • Não é óbvio que isto do referendo é apenas uma questão política, no que de pior tem a dita?
  • Não é óbvio que depois do referendo, qualquer que seja o resultado, tudo o que importa estará ainda por fazer?
  • Não é óbvio que esse tudo, então como agora, cabe à tal Assembleia da República fazê-lo?
  • Não é tão escancaradamente óbvio que isto é um não-problema?

Não, nada disto parece ser óbvio e por isso se vai fazer um referendo.

Por isso, embora correndo o risco de contribuir para um resultado certo por motivos maioritariamente errados, eu vou votar sim e esperar que se acabe de vez com esta discusão idiota de país de idiotas sem mais o que fazer.