quinta-feira, janeiro 04, 2007

Pelo SIM à despenalização da IVG ou pelo SIM ao aborto, resumindo: pelo SIM, seja lá por que motivo for.

O referendo à despenalização da IVG está a dar que falar e está a custar-me perceber porquê; sinceramente.
  • Não é óbvio que não se pode julgar uma mulher que recorre à IVG?
  • Não é óbvio que um dentista sem habilitações é um criminoso?
  • Não é óbvio que despenalizar pode significar tudo menos combater a clandestinidade?
  • Não é óbvio que o recurso a “clínicas” de vão-de-escada não tem nada a ver com penas, tão pouco com dinheiro?
  • Não é óbvio que despenalizar não significa incentivar?
  • Não é óbvio que os números apresentados por gregos e troianos não têm a mais pequena hipótese de confirmação?
  • Não é óbvio que uma IVG não poderá estar sujeita a lista de espera?
  • Não é óbvio que há problemas de saúde pública de resolução muito mais urgente?
  • Não é óbvio que uma gravidez é evitável e até (já) interrompível?
  • Não é óbvio que o assunto diz respeito à mulher como ao homem?
  • Não é óbvio que as questões de ordem moral (psicológica) se sobrepõe às de ordem física?
  • Não é óbvio o significado da palavra “des-pe-na-li-za-ção”?
  • Não é óbvio que “despenalizar” não significa automaticamente “criar condições para que o sistema de saúde público trate do assunto”?
  • Não é óbvio que (felizmente) a maioria das pessoas (de ambos os lados) que argumenta sobre o assunto não faz a mais pequena ideia do que é passar por isso?
  • Não é óbvio que ser a favor da despenalização (do “sim”, para ser claro) implica ser militantemente contra o aborto?
  • Não é óbvio que ser contra a despenalização (do “não”, para ser outra vez claro) implica ser militantemente contra a ignorância?
  • Não é óbvio que a religião professada tem tanto a ver com o assunto como o concelho de naturalidade?
  • Não é óbvio que a competência de legislar cabe à Assembleia da República?
  • Não é óbvio que ninguém melhor que o governo tem (ou deveria ter) a informação relevante para decidir sobre o assunto?
  • Não é óbvio que isto do referendo é apenas uma questão política, no que de pior tem a dita?
  • Não é óbvio que depois do referendo, qualquer que seja o resultado, tudo o que importa estará ainda por fazer?
  • Não é óbvio que esse tudo, então como agora, cabe à tal Assembleia da República fazê-lo?
  • Não é tão escancaradamente óbvio que isto é um não-problema?

Não, nada disto parece ser óbvio e por isso se vai fazer um referendo.

Por isso, embora correndo o risco de contribuir para um resultado certo por motivos maioritariamente errados, eu vou votar sim e esperar que se acabe de vez com esta discusão idiota de país de idiotas sem mais o que fazer.

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