terça-feira, setembro 04, 2012

A insuficiência do significado

Vivemos dias muito sensíveis (tudo é uma nervura) e se aparentemente falta como colocar o ombro ou dar a mão (talvez por isso) sobra onde por a letra. Mas as palavras também se gastam e, sem medida, um dia dizer porco não bastará, como há muito não basta amo-te.

Se a insuficiência do significado pode invocar um gesto, não tenhamos por garantido que quem não sabe usar a força das palavras saiba medir a força do braço.

As palavras não são pedras e no dia da total insignificância, quem podendo não tenha sabido usá-las já não poderá lamentar a sua falta ou justificar a fraca herança.

As palavras certas, facilmente malbaratadas, são uma frágil e indefesa garantia de paz.

quinta-feira, agosto 25, 2011

Parabéns LINUX!!!!

Há 20 anos .... começava assim uma "aventura":


From: torvalds@klaava.Helsinki.FI (Linus Benedict Torvalds)
Newsgroups: comp.os.minix
Subject: What would you like to see most in minix?
Date: 25 Aug 91 20:57:08 GMT


Hello everybody out there using minix -

I'm doing a (free) operating system (just a hobby, won't be big and
professional like gnu) for 386(486) AT clones. This has been brewing
since april, and is starting to get ready. I'd like any feedback on
things people like/dislike in minix, as my OS resembles it somewhat
(same physical layout of the file-system (due to practical reasons)
among other things).

I've currently ported bash(1.08) and gcc(1.40), and things seem to work.
This implies that I'll get something practical within a few months, and
I'd like to know what features most people would want. Any suggestions
are welcome, but I won't promise I'll implement them :-)

Linus (torvalds@kruuna.helsinki.fi)

PS. Yes - it's free of any minix code, and it has a multi-threaded fs.
It is NOT protable (uses 386 task switching etc), and it probably never
will support anything other than AT-harddisks, as that's all I have :-(.

domingo, maio 29, 2011

Who am I?

Ultimamente tenho andado mais atento a determinada "zona" do conhecimento moderno que, confesso, desconhecia existir e que se denomina por "personal branding".

Basicamente trata de técnicas, tácticas e estratégias de promoção do que somos, sabemos e fazemos; usa-se bué na construção de CV's, perfis em portais como o LinkedIn, etc, e sem entram em grandes pormenores (porque não os conheço - e lá está, não devia ter dito isto) é uma coisa complicada como o diabo porque se baseia em ficção e, como todos sabemos, Saramagos e Lobo Antunes não há muitos.

A coisa é tão grande e poderosa que há até um negócio à sua volta: consultores prontos a ajudar na criação (digo bem) de uma imagem de sucesso e competência; livros sobre como criar (digo bem outra vez) um CV convincente; palavras que devem e não devem usar-se quando escrevemos uma carta de apresentação; como trajar para uma entrevista, o que fazer às mãos, etc.

..., etc, etc, etc, etc; é mesmo muita coisa.

Como sou um tipo um bocado racional e dado a estatísticas penso o seguinte:

1 - é de crer que uma enorme parte das pessoas que passam com sucesso por processos de recrutamento não sejam despedidas na semana seguinte.

2 - é também de crer que uma boa parte dessas pessoas tenham seguido aqueles preceitos e não tenham tratado do processo de sua própria lavra (o que seria desastroso).
se as pessoas foram contratadas por algo que disseram e que não corresponde, totalmente, à verdade, é de crer que foram mantidas pelo que realmente eram e sabiam, pelo que, as "flores" da promoção se revelam, na realidade, desnecessárias.

... e pergunto:

1 - como é que garantimos que não foram contratadas em detrimento de outrém, talvez mais competente e sério, mas menos "na moda" do personal branding???

quarta-feira, maio 25, 2011

A "máquina" é que manda!


Hoje cruzei-me com o último dos chefes-de-estação a prestar serviço aqui no Castêlo da Maia (há quantos anos!!!)
- Como vai a vida, então essa saúde; está com bom aspecto homem! e as folgas que os maquinismos ganham com a idade parece estarem controladas: - Consulta dos olhos p'ra 27 de Julho no S. João; isto já não melhora; vamos a ver se ao menos não piora.
e ontem fui à estação dos correios com duas cartas, não conheci ninguém mas a senhora que me atendeu era simpática e gostava de falar, embora falasse pouco.

À minha frente um senhor com alguma idade, talvez reformado, com dificuldade em preencher o impresso do registo mais o cartãozinho cor-de-rosa do aviso de recepção, a pedir ajuda e a senhora funcionária que não podia, que muita gente na fila, e lá se foi o homem com cara de terror e os papéis na mão para preencher sabia lá ele como.

Chegou a minha vez ao som do apito de um quadro com letras electrónicas
- Este é correio azul e este é normal. e a senhora simpática, faladora, sem que eu lhe perguntasse o que fosse, que tinha pena mas não podia ajudar as pessoas a preencher os impressos  - Não podemos; sabe que o computador dos tickets é que manda e se não for eu a atender as pessoas é outra colega e … sabe como é!

Eu, que agora sei como é, mas antes não sabia
-Pois claro, pois claro! ainda a pensar no homem a tentar descobrir o que será um remetente e quanto ganhará a senhora por cada cliente (chamamos-nos assim) que atenda.
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O país está em crise e diz-se que é por falta de produtividade; que os portugueses trabalham pouco e que ganham demais para o que produzem.

Talvez seja verdade, ou talvez apenas seja necessário que todos façamos um pouco mais do que nos compete ou pelo qual somos pagos: um pouco de altruísmo, digamos, mas há algo que me confunde.

Sabemos que as estações de caminho-de-ferro já não têm chefes-de-estação, nem agulheiros, nem vendedores de bilhetes; dúvidas? Olhe para os painéis informativos, tente perceber a tabela de preços (e que não apareça o fiscal – que hoje é fiscal no metro mas amanhã estará de plantão à porta de uma fábrica de bolachas ou, com sorte, no terminal de chegadas do aeroporto ou, maravilha das maravilhas, a porta da Women Secret no centro comercial), ou então carregue no botão e espere um pouco para falar por uns buraquinhos de passe-vite com uma voz de menina que ontem esclarecia dúvidas sobre colchões e amanhã atenderá dúvidas sobre tarifários de telemóvel.

Sabemos que as estações de correios já não têm funcionários que ajudem as pessoas a preencher impressos e ouçam 2 minutos de queixas da artrose, mas conseguem explicar com enorme eficiência as ofertas de produtos (chamam-se assim) financeiros da empresa ou de que fala o último livro do Paulo Coelho.

Sabemos que desaparece gente de cada vez maior número de serviços e a que ainda existe é cada vez mais igual a toda a outra gente que ainda existe noutros serviços e que muito bem podia trabalhar nestes.

Se tudo está a ser substituído por máquinas eficientes e profissionais indiferenciados cada vez mais eficientes, pergunto: estamos em crise porquê??

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Muita saúde e paixão nestes últimos 9 dias de 2010 e em todo o 2011, pelo menos.

?!?!?!

... já disse ali no "assunto".

Beijos, abraços, cumprimentos em separado ou numa das 4 formas diferentes em que se podem combinar.

PS: se "olharmos" à ordem, são 12.

David Fernandes

quarta-feira, novembro 24, 2010

paradox.sou


Acaba de nascer um livro maravilhoso de Suzana Guimaraens ; fazem favor de o procurar, sim?

Podem começar por aqui e depois, ou antes, aqui e depois no papel para ter pertinho.

Vá!

Clube Literário do Porto, Poetria; não pode ser difícil.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Lentamente

ART now...!
Contra o stress multiplicador de posts irrelevantes da generalidade dos blogs, um com frequência ... mensal.

Para saborear lentamente: ART now...!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Dúvida existencial!!!


Alguém me ajude a perceber o que se passa com o nosso Primeiro Ministro (*):

  1. está a precisar de óculos;
  2. nunca viu José Luis Peixoto nem sequer uma sua fotografia;
  3. não sabe quem é José Luis Peixoto.
(*) http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1485257

segunda-feira, janeiro 25, 2010

França: as culpas do colonizador

Toussaint Louverture
"França: as culpas do colonizador

Muito antes da destruição provocada pelo sismo de 12 de Janeiro, o Haiti já era uma zona economicamente inviável, fragilizada por uma dívida com séculos de existência para com o seu antigo senhor colonial a França. Para os geólogos, a falha está entre as placas tectónicas da América do Norte e das Caraíbas. Para alguns, o terramoto é um sinal da ira de Deus. Vozes mais avisadas apontam para a série de déspotas que andam a saquear o país há anos. Mas, para muitos haitianos, a falha situa-se há 200 anos, directamente na França colonialista. (...)"

Ler mais (http://macua.blogs.com/moambique_para_todos)

sexta-feira, janeiro 15, 2010

...


Por outro lado

A ruína é grande
e a planície
como antes das estradas;
tudo escombros
e falta de vento.

A derrocada é total
a aparentar um genial princípio,
primordial génio;
o mar recua a acrescentar
terra salgada,
novos animais em final debate
e cascos de navios sem uso.

A remir velhos escritos,
como um pressentimento permanente,
o dia seria ímpar
sem os espaços
de janelas abertas,
                [desprevenidas,
perfeitamente intactos.

David Fernandes

sexta-feira, novembro 27, 2009

quinta-feira, outubro 01, 2009

Leituras - O Chão que Ela Pisa by Salman Rushdie

O Chão que Ela Pisa O Chão que Ela Pisa by Salman Rushdie


My rating: 5 of 5 stars
Quinhentas e tal páginas de letrinha miúda onde não há uma frase mal medida, uma palavra desnecessária. Muito cansativo, confesso.

Numa breve "Nota biobibliográfica", Eduardo Prado Coelho, organizador da colecção que inclui este livro, diz:

"Entre Oriente e Ocidente, da cosmopolita Bombaim dos anos 50, à vibrante Londres de cultura pop dos anos 60, até à vibrante Nova Iorque dos anos 90, O Chão que ela pisa (...) é um fresco da segunda metade do século XX e, simultaneamente, uma viagem pela permanência do mito nas sociedades contemporâneas".

Exactamente; ressalto a ideia do "mito".

O casal protagonista deste romance "épico" são duas estrelas da maior banda de rock do mundo: Ormus Cama e Vina Apsara.

A criação, a inspiração, o comércio; a distância entre o artista e os seus seguidores; a loucura: tantos mundos.

Inesquecível.

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segunda-feira, setembro 28, 2009

Lá vivemos o nosso "diazinho da democracia"


Lá fomos nós exercer o nosso dever cívico e político, direito humano de alimentar o mito de que contamos para alguma coisa.

No final de um dia de furacão: de gente e de papelada, chegam os resultados e as declarações generalizadas de vitória.

O PS, o único partido a perder representação (só perde 20% dos votantes e deputados que teve em 2005 - um dos dedos de uma mão) é o grande vencedor do dia: "Uma vitória extraordinária", considera o seu líder.

É só o princípio de mais 4 anos de pantomima.