segunda-feira, abril 04, 2005

285 da tua mão

Supus ser hoje um dia sete - desses quase raros nem sempre de nove em nove. Quis que te fosse bom, e disse-to. Mas não é. Digo, sete.

Não é e não sei porque me pareceu ser, mas tenho as minhas fundadas suspeitas: será porque desejo que todos os dias sejam dias sete; ou porque quero sempre que saibas que existo; ou, e esta é a mais provável das alternativas (também posso ser falso de vez em vez), porque o verdadeiro dia sete, ontem, aparentemente não acabou porque não fechei os olhos no sono ... que nunca te trouxe.

Conjecturo que é o próprio sono, ou alguém durante ele, que muda as páginas do calendário. E se assim for, é possível "não-envelhecermos" juntos, já viste?

Vem isto a propósito de coisas que não esqueço e que, por sinal, aumentam em número de dia para dia.

Sabia bem de onde vinha aquele número que me acompanha há dias, sempre, um número que não é um sete, ou é, segundo disseste, por dentro: o 285.

Estive a menos que isto de ler o que está escrito naquela página. E peguei até no livro mas não o abri; tive medo de acertar, confesso. E, por vezes, acertar dói um bocadinho.
Por isso, espero o dia em que hei de lê-lo da tua mão, sem sono.

sábado, abril 02, 2005

Elogio da lembrança

talvez ao erguer o copo te perguntes:
de que lado está o rio?
talvez esteja a recuar, hoje.

não te preocupes,
eu digo-te:

caminho de costas para o mar
e o rio nestes hojes não recua.
está forte como nunca
mas eu mais
como quando os barcos são mais lentos.