domingo, setembro 25, 2005

Os hipermercados vendem livros; já se sabe. Cada vez com mais "cuidado".

No Jumbo, podemos agora mais facilmente encontrar o que procuramos. Os gajos separaram a oferta em estantes, digamos, temáticas; ajuda.

Por exemplo, podemos ver uma estante "Literatura portuguesa", outra "Literatura estrangeira"; é muito cómodo.

Estranhei o facto de Augusto Abelaira e o seu "Bolor" aparecer na estante "Literatura estrangeira".

Mas percebe-se assim que se lê o texto na contracapa do referido livro:
"Augusto Abelaira escapará sempre a qualquer classificação que lhe queiramos atribuir, já que a sua invulgar criatividade o projecta para além de géneros, correntes, geração ou outro contexto em que tentemos perscrutá-lo". Acrescento eu: ou nacionalidade.

Mas entende-se! Claro, então está bem.

Vá! Podiam tê-lo posto na zona alimentar mas o responsável deve ter achado o título do livro pouco apropriado para figurar ao lado dos yogurtes, ou do pão de forma, ou das chouriças.

Ainda bem, que o responsável é ... um profissional cuidadoso.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Muitas vezes dou por mim a imaginar o que se passará dentro da cabeça de certas pessoas em determinados momentos das suas vidas.


Como por estes dias.


Tenho andado a imaginar em que raio estaria a pensar o editor do Dailly Mirror quando decidiu publicar a notícia (acho que até a foto) da modelo Kate Moss a cheirar cocaína.


Tenho imaginado que esse editor talvez tenha dito de si para consigo, lá na língua dele, algo como:

- "Busted!"


Na nossa significa, mais arroba menos quintal:

- "Foste apanhada!" ou, mais apropriadamente:

- "tás fodida!"


Não lamento, mas não consigo parar de "ver" a cara de prazer que o tal editor terá feito; preconceito meu, não lamento.


Um turbilhão de consequências advieram da tal notícia.


Algumas das empresas (não todas) com as quais a referida modelo tinha contratos publicitários apressaram-se a cancela-los, ou pelo menos a manifestar essa intenção.



Fico sempre muito confundido com este tipo de notícias.



Pergunto-me ao abrigo de que lógica é que uma empresa, neste contexto, cancela o contrato que tinha com Kate Moss. ... e advogo-me o direito de descobrir o "pensamento" delas ou, o dos seus responsáveis sobre qual será o pensamento dos consumidores acerca do assunto:


Eis alguns deles, cada uma mais lógico que o outro:


1 - As roupas que a modelo veste e mostra um pouco por todo o mundo deixaram de possuir qualidade pelo simples facto de ela, a modelo, ter consumido drogas.

2 - A lingerie que a modelo publicita (e que bem que lhe assenta) deixará de merecer a confiança de muitas mulheres já que a modelo que lhas mostrou não é moralmente exemplar.

3 - O baton que a boca da Kate Moss tão bem vende, não mais se conseguirá libertar do estigma de ter sido visto nuns lábios onde já terá também pousado um charro.


Eu cá por mim digo: se fosse cliente de uma dessas empresas, não estaria muito contente com o atestado de imbecilidade mental que esses senhores-responsáveis-magos-do-marketing me estavam a passar. Ah não ficaria MESMO nada contente.


Tenho a certeza que esta gente não entende nada de poesia. Mas talvez entendam da vida.


E nem se dão conta de que estão a agir precisamente ao contrário do que seria normal, fossem aquelas cabeças providas de um mínimo de bom senso.


Estou deveras espantado como pode ser possível tanta gente acreditar que a Adriana Calcanhoto fala verdade quando diz (e canta): "só a bailarina é que não tem..."


...


Não paro de tentar imaginar o que terá pensado, de si para consigo, o tal editor responsável pela publicação.



Não me ocorre nada além de:

- "Busted!"



E a verdade é que, muito provavelmente, está mesmo.



Assim vai por este dias a vida da Kate Moss: modelo, mãe, estrela, bonita, escultural mesmo e, pasme-se, ser humano.