domingo, setembro 07, 2003

Dou comigo a olhar o mar.

A primeira coisa que me salta à vista é o horizonte. Essa linha que esconde coisas, que faz nascer sonhos, que leva os pensamentos ... normais. Ali loooonge!

Penso neste “longe” e tento imaginar quão longe será.

Para quem tenha um mínimo de conhecimentos de geometria, será relativamente fácil calcular esse longe; a que distância está a linha do horizonte.

Bom. Se traçarmos uma circunferência que represente, razoavelmente, a terra e desenharmos sobre ela, na vertical, um “pauzinho” que represente uma pessoa, basta traçar uma linha que parta da “cabeça” desse pauzinho e seja tangente à circunferência que representa a terra.

Depois, é só medir o comprimento do arco que vai desde os “pés” do pauzinho até ao ponto onde a linha que lhe partiu da “cabeça” toca, à tangente, a circunferência da terra.

Imediatamente se compreende que, quanto mais alta for a pessoa, mais distante está a “sua” linha do horizonte; isto é, mais longe vê. Daqui se prova que cada pessoa tem o seu horizonte (já se sabia e nem era preciso fazer cálculos).

Continuando! Grosso modo, e sem ter em conta que a terra não é esférica e por isso não se poderá representar por uma circunferência, o horizonte para uma pessoa de 1.75 m está a cerca de 5 quilómetros.

Não queria acreditar.

Eu que sempre tinha visto o horizonte como algo de distante... O local onde nasciam os arco-íris e os piratas perdiam as pernas.

Quero encontrar um barco, quero lá ir.

Mas logo percebo que o horizonte não se vai deixar conhecer. Por cada remada que possa dar, uma remada ele se afastará.

Como um cão à procura do seu próprio rabo, viro as costas ao mar mas logo o enfrento de novo. Não é possível: Caramba!!!

Ali mesmo, tão inatingivelmente perto.