terça-feira, setembro 04, 2007


Larry Craig é (era) senador republicano há 16 anos consecutivos.

Era, porque se demitiu; parece que foi apanhado em comportamento impróprio com um polícia à paisana no urinol do aeroporto de Minneapolis.

A historieta, enfim, tem contornos de delírio.

Então um senador de 62 anos, conhecido pela sua luta contra os casamentos gay, oposição à presença de homosexuais nas forças armadas, é apanhado num urinol de um aeroporto (não é na casa de banho; é no urinol) em comportamentos impróprios com outro homem? Não teria o homem forma mais discreta de saciar o seu gosto por "maçaroca" - na expressão de Eduardo Pitta?

Parece que o senador foi conduzido à polícia, se declarou culpado de “conduta lasciva” e pagou uma multa de 500 dolares.

Eh pá; eu até nem sou nada de teorias conspirativas, mas que a história me soa estranha, lá isso soa.

Enfim, o tipo demitiu-se e portanto, raciocínio consequente, assume a sua condição.

Eduardo Pitta
não só dá eco à estória, como contextualiza o episódio no tempo recente da vida americana. Parece que há mais casos: o de um congressista obrigado a demitir-se quando se soube que assediava rapazes que trabalhavam no Congresso e um outro detido quando aliciava um polícia negro a o acompanhar até “debaixo de uma ponte, onde era mais sossegado” a troco de 20 dolares.

Um minuto; estou a visualizar o quadro.

A verdade é que não consigo perceber o que realmente pensa Eduardo Pitta sobre o assunto:

Será que concorda com as demissões?

E porquê?

Porque um senador faz figuras tristes com um homem (por acaso polícia à paisana) num urinol? Ou porque um senador “anti gay” e “homofóbico” se coloca nessa posição?

Porque um congressista assedia rapazes que trabalham no congresso ou porque assedia pessoas sobre as quais tem qualquer tipo de poder?

A mim parece-me perseguição homofóbica.

Também não entendo como se pode concluir que "gostar de maçaroca" implica ser-se a favor da presença de homosexuais nas forças armadas ou defensor do "casamento homosexual".

Enfim, não percebo, pronto.

Diz Eduardo Pitta que infelizmente para o senador, a história não morreu na esquadra da polícia. Digo eu: infelizmente para nós que estas histórias chegam alguma vez a ter vida.

Confesso-me seguidor assíduo do daliteratura mas este post, caro Eduardo permita-me, saiu completamente ao lado.

De qualquer forma, realmente, a etiqueta “homofobia” não podia ser melhor aplicada.

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