domingo, fevereiro 17, 2008

Os tops dos super-pops

Não tenho muitas certezas sobre este assunto. Parece-me contudo que a poesia nunca terá o mercado da prosa (oh grande novidade - esta cabeça....).

E, a meu ver, o problema não está na educação; aliás a educação não incentiva nenhum tipo de leitura, e nisso a prosa é tão mal amada quanto a poesia.

Há mitos que nunca se hão-de eliminar como por exemplo, acreditar que se chama um miúdo para a poesia através dos Lusíadas. Não pode ser.

Mercado é retorno (valorizado) de investimento. Mercado é falsidade, engodo, engano.

O mercado chegou à prosa há muito tempo: veja-se a quantidade lamentável de sucedâneos do lamentável "Código"!!!

Expliquem-me porque se vendem aos milhares coisas como "Os pilares da terra" do Ken Follett (que eu também li sim senhor e que diverte muito, ok) mas não se vendam ao menos umas centenas de, por exemplo, "A casa do pó" e demais notáveis romances do Fernando Campos. Dou este exemplo apenas porque, podemos dizer que são "do mesmo tipo", acrescendo a que no caso do Fernando Campos, o assunto é Portugal, as nossas coisas, a nossa história, os nossos lugares?? Já para nem falar na qualidade da escrita; incomparável a favor do nosso romancista histórico.

Expliquem-me por favor.

Expliquem-me porque vende como tremoços um lamentável (para dizer pouco) José Rodrigues dos Santos (já tive oportunidade de escrever algo sobre isto
aqui) e, (apenas para manter a semelhança jornalistica), porque não vende o mesmo um ADMIRÁVEL Rodrigo Guedes de Carvalho??? Porque é que, apenas por serem ambos jornalistas, se coloca tudo no mesmo saco?

Porque raio ninguém sabe quem é um valter hugo mãe, nem o da poesia nem o da prosa, ambas de um nível elevadíssimo?

Como comecei por dizer, não tenho certezas, e nem tenho nada contra quem pretenda fazer vida da escrita, seja da prosa seja da poesia, mas é que absolutamente nada. Mas, nas coisas das artes, desconfio do mercado, sempre.

Além de que o mercado não resolve tudo muito menos afina qualidade.

Sabendo que os editores PAGAM às grandes superfícies (malfadadas que já chegaram aos livros) para que estas coloquem os SEUS livros nos escaparates principais, não é de prever grande coelho desta lura. E só pagam se tiverem um risco mínimo de não retorno.

Esta exagerada visibilidade de produtos fracos tem um outro resultado perverso: quantos livros se oferecem? Se pensarmos no fraco nível de leitura deste país de miséria (a maioria dos livros que se oferecem não foram lidos - como é óbvio) quais são os livros com probabilidades de serem comprados para serem oferecidos; é a bosta visível à frente.

Depois os números e as estatísticas com que nos querem enganar. Pergunto por exemplo: quantos dos 150000 exemplares vendidos de um Codex (do JR dos Santos), foram de facto lidos? E desses, quantos foram lidos até ao fim? (Falo apenas de um livro MAU com uma saída incrível).

É o circo mediático como está muito na moda dizer-se.

Há uns tempos, havia pouco tempo do anúncio do Nobel deste ano (Doris Lessing), passeava eu pela FNAC e qual não é o meu espanto quando vejo os escaparates cheios de livros da senhora. O meu espanto não foi a quantidade de livros, foi o preço. A Livros do Brasil na colecção Dois Mundos, tinha há muito editado Doris Lessing; pois vão à FNAC ver o preço a que estão esses livros e vão ao site da editora ver a quanto são vendidos?

Acredito que a poesia estará sempre fora disto; acredito e desejo.

Vou repetir: não tenho nada contra quem queira fazer vida da escrita.

Vou repetir: não tenho certezas nenhumas; é provável que mude de opinião à medida que for reflectindo nisto; quem for burro que puxe carroça, eu não sou.

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