terça-feira, setembro 04, 2012

A insuficiência do significado

Vivemos dias muito sensíveis (tudo é uma nervura) e se aparentemente falta como colocar o ombro ou dar a mão (talvez por isso) sobra onde por a letra. Mas as palavras também se gastam e, sem medida, um dia dizer porco não bastará, como há muito não basta amo-te.

Se a insuficiência do significado pode invocar um gesto, não tenhamos por garantido que quem não sabe usar a força das palavras saiba medir a força do braço.

As palavras não são pedras e no dia da total insignificância, quem podendo não tenha sabido usá-las já não poderá lamentar a sua falta ou justificar a fraca herança.

As palavras certas, facilmente malbaratadas, são uma frágil e indefesa garantia de paz.

2 comentários:

António Manuel Dias disse...

Há falta de palavras faz-se o que sempre se fez: usam-se outras.

David Fernandes disse...

Eu não sei se se podem substituir (alguém da filologia - ou talvez da pragmática - há-de ter exemplos). Seja como for deve levar muito tempo e no entretanto estaremos mais embrutecidos.