terça-feira, agosto 26, 2008

Terraplanagem do sentido

"Tenhamos a coragem de admitir, de uma vez por todas, que há um português ortónimo ─ o que se fala e escreve em Portugal ─ e vários portugueses heterónimos (os que se falam no Brasil, em Moçambique, em Angola, etc.) que se falam e que se escrevem. Apagar esta heteronímia, tentar fingir que o português é só um, por via de uma tímida e ridícula unificação ortográfica, é querer tapar o sol com a peneira"
Eugénio Lisboa in Jornal de Letras, Artes e Ideias, 13 a 26 de Agosto de 2008 (nº 988)

Olhem-me só o desplante do homem; isto é uma heresia: não se pode dizer que há mais do que um "português" como já não se pode dizer:
preto, homem, mulher, cigano, casamento, brasileiro (que me lembre assim de repente).

A lista de palavras proibidas vai aumentando todos os dias. Não tarda, já só as poderemos trocar em sub-caves nas traseiras de edifícios de subúrbio.

Lamentavelmente, as palavras estão na mão de uma horda crescente de "fascistas da palavra politicamente correcta" devidamente amplificados pela "comunicação social" (bem sei, bem sei: lugar comum).

Contra este "fascismo da palavra"
vão-nos valendo (mas pouco) os poucos Eugénios Lisboas que não receiam usar as palavras certas (únicas?!?!?).

Mas o resultado não será de vulto. A terraplanagem está em curso e em força. E o pior é que quando isto for tudo plano, não haverá rios.

E o que eu gosto de penhascos.....

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