sexta-feira, novembro 03, 2006

60! Sessenta.

Numericamente 60, como qualquer outro numero inteiro, pode ser representado pela multiplicação de vários números primos. E, segundo um famoso teorema, não há duas formas de o conseguir fazer.

No caso presente, os tais números primos são: 2 x 2 x 3 x 5 e não há outros que, multiplicados, perfaçam 60.

Extraordinárias coisas.

Primeiro, o facto de ser sempre possível enumerar um conjunto de números primos cujo produto representa um qualquer número inteiro.

Segundo, o facto de não haver dois conjuntos (diferentes) de primos cujo produto seja idêntico.

Assim é a vida!

Não há duas formas de se atingir 60 anos, parece-me: com muita ou pouca vontade, com felicidade ou infelicidade, atingir 60 anos é ter vivido todos e cada um desses 720 meses. Não há alternativa.

Quem os viveu, viveu. Quem não os viveu não sabe. Ponto.

Fosse a vida uma função matemática e tudo estaria dito. Mas não é.

Não é, porque não há matemática que explique a forma como se vivem 60 anos.

E neste particular aspecto do assunto, muitíssimas alternativas se apresentam aos candidatos e nem o próprio pode lembrar, quanto mais explicar, todas as escolhas que foi fazendo ou que se foram, mesmo à revelia da sua vontade, impondo.

Todas as dúvidas que foi, ou não, esclarecendo; os passos que foi dando: uns, seguro da segurança (!!!!!) que o caminho lhes dava, outros completamente alheados da razão.

Enfim, é difícil, para não dizer impossível, enumerar todas as variáveis de uma hipotética função que pudesse representar a vida de um homem.

Aliás, tenho a leve suspeita que a maior parte das justificações para uma vida se poderão encontrar do ?lado de fora? do sujeito dessa vida.

E se for certo que para nos explicarmos temos que olhar em volta e procurar quem somos nos olhos de cada um desses que vemos, deve ser reconfortante saber que, além de muito, pouco ou nada apreciados, além de nos vermos simpáticos ou antipáticos, somos alguém que não deixa alguém indiferente.

Melhor talvez não procurar explicar quem somos; melhor, então, não querer justificar o que fazemos. Melhor, talvez, começar a procurar a sempre curiosa enumeração de números primos cujo produto representa ?mais um?.

Curioso: 61 é número primo, logo não pode ser expresso através do produto de outros primos que não ele. Ao contrário, pode ele próprio ser factor de muitos outros números.

É este o meu desejo pai João. Que sejas ainda factor de muitas coisas, que sejas ainda princípio de outras tantas apesar de coisa nenhuma! Certo?

Isso e que à tua volta tenhas sempre olhos que te ajudem a ver quem és e porque o és! Certo?

Sem comentários: