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Órix e Crex - o Último Homem by Margaret Atwood My review rating: 4 of 5 stars Que o Homem não é digno de confiança está mais do que visto. Sobre ao que essa falta de competência (aliada a uma inabalável consciência do contrário) pode levar o mundo, Margaret Atwood apresenta neste livro uma hipótese mais do que plausível; aterradoramente mais do que plausível. View all my reviews.

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O Arquipélago da Insónia by António Lobo Antunes My review rating: 5 of 5 stars Inesquecível. O melhor (o que será isso!?!?!) livro que li em toda a minha vida. Espanta-me que não seja capaz de "contar a história" ainda que pequena fosse; um pequeno episódio; uma coisinha qualquer. Nada; acho que não se pode. É um "cubo" maciço de vida. Não em fatias ou pedaços mais ou menos lineares mas a vida como ela é: milhares de palavras enredadas, simultâneas; frases paralelas, entrecruzadas (literalmente - chega a colocar frases, parágrafos, no meio de uma palavra, mesmo no meio), ideias que se atropelam constantemente; o que as nossas cabeças são por dentro. Diz-se que cada cabeça é um universo; Lobo Antunes mostra como. Não queria nada terminá-lo. Estou meio abalelado ainda. Nota : começar pela 3ª parte (a última) pode facilitar a leitura. Não me responsabilizo por eventuais "perdas" ou desilusões; é favor usar esta nota com cuidado. View all my reviews.

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O Labirinto das Azeitonas de Eduardo Mendoza My review Delirante. A personagem principal é uma espécie de Dom Quixote do nosso tempo: o discurso artificialmente (e despropositadamente) palavroso, as alucinações. A trama é de alguma forma vulgar: alguém incumbido de uma tarefa que não pára de meter os pés pelas mãos. Um livro divertidíssimo que arranca gargalhadas inusitadas, posso garantir. Cuidado onde se lê: num transporte público ou à espera da consulta no dentista, pode ser mesmo embaraçante. Embora o elevado grau de delírio e até inverosimilhança, não se pense que é um livro "de brincar"; diz coisas muito sérias. A aparência caricatural que o autor imprime às pessoas e às situações, pode levar o leitor a menorizar a obra. Não é uma obra menor. Mas pode ser lida como tal, sem grande prejuízo: pelo menos, divertimento é garantido. View all my reviews.

As coisas ...

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... que um livro é.

For You...

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Um desejo assíncrono

New Year's Wish Perry Blake Streets are full of people Laughter echoes through the halls Christmas makes me dizzy I have many friends to call And pockets full of promises I tried to keep them all Calling out for someone To replace the one that's gone Sparkles like the diamond That you've hidden in your room I look into this night sky And I wonder, where are you? And winter's full of memories That summer leaves behind A new year's wish, an offering To give another try And pockets full of promises I tried to keep them all Calling out for someone To replace the one that's gone

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"Inteiramente dentro"

(é segredo) procurar como fome e sempre ser amanhanoitecer luminárias de tempestade guiam fátuas os ventos de fim toda a cor uma intuição e matiz nada ou desperdício detritos rumo ao vazio da expansão do sentir contracção da espera novos usos e dicionários zarpar não ser abandono ou regresso e cataclismo apenas uma teoria cinemática sabê-lo exactamente falência iminente e no entanto surgires solidão anjo e no entanto surgires gugol "inteiramente dentro" DAVID AUGUSTO FERNANDES

Leituras - Manuel Alegre

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De Momentos "(Os anos passarão. Os canteiros hão-de gerar um outro buxo. Outros pássaros virão cantar nos ramos altos do pinheiro manso e dos plátanos. A tia morrerá. E a casa e o jardim, a própria vila, suas rotinas, seus ritmos e seus ecos. Não ficará senão a tua voz na tarde calma. Olá, disseste. E a terra começou a tremer.)" MANUEL ALEGRE, A Terceira Rosa Publicações Dom Quixote, 1998

Johan Adonis - nome de parasita

Johan Adonis tem um blog e é um falsário, um parasita. Nesse blog, este "senhor" publicou um post no dia 10 de Setembro de 2008 (post esse já retirado ) em que nos dava conta de ... "(...) um dos versos meus que recitei no Folctech 2008 realizado pelo Colégio São José, onde fui agraciado juntos com outras pessoas da nossa terra que contribuem de alguma forma com a cultura e o desenvolvimento do nosso município , com uma placa de reconhecimento cultural." Esses "versos" intitulados "Agasalho de poeta" são afinal um poema de Nathan de Castro intitulado "Soneto com nó" e foi editado em 2005 no livro “ 1001 NOITES DE SONETOS E RABISCOS ” e publicado no seu blog pessoal em 5 de junho de 2006 . O que leva alguém a expôr-se ao ridículo de uma situação destas, é coisa que me escapa completamente. O referido “parasita” de seu nome Johan Adonis retirou o post onde publicava o poema (o que, só por si, é uma assunção de qualquer coisa) mas o goog...

Ai!

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"Não existe obsessão maior do que a do «universal» na verborreia dos incapazes. Toda essa verborreia é, no entanto, duma consagrada sonoridade. Ninguém discute a razão do epíteto sublime, ninguém ousa gritar que o rei vai nu. Ninguém - numa casa de fado - discute a lágrima nem a saudade. E tanto o fado como a crítica «humanista» são, todavia, a expressão acabada da violência, a apologia descarada do massacre. Com a agravante de massacrarem sem remissão os direitos fundamentais da inteligência." JOSÉ MARTINS GARCIA, Linguagem e criação, 1973 Assírio & Alvim

Uma banda sonora para o mundo de hoje

Leituras IV

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Uma maravilha. O simples facto de uma mente brilhante, de alguma maneira, assumir a sua inabilidade para tratar convenientemente determinados assuntos é, no mínimo, desafiante para quem lê. Percebe-se a imensidão que é a "cabeça" deste homem. Sendo um livro constituido por 7 "pequenos" ensaios sobre outros tantos temas, o desfile de interrogações é maciço e sufocante. Os temas são tão diversos quanto surpreendentes: a experiência do sexo em línguas diferentes, as reivindicações do sionismo, um amor mais intenso pelos animais do que pelos seres humanos, o privilégio dispendioso do exílio, a teologia do vazio, o ensino, a China e Joseph Needham . É um livro que, mais do que solucionar, interroga. Natural num professor. É o que na minha opinião deve fazer um professor: interrogar e, com a mesma força, motivar a procura autónoma de respostas. George Steiner fá-lo de forma magistral. É um livro que eu recomendaria a toda a gente; quem sabe fazê-lo leitura obrigatória nas...

Jackson Pollock nasceu há 97 anos

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incomunidade: A este Porto Ígneo e Radioactivo

Tive a felicidade de ouvir "este" poema, por voz própria, numa sessão de poesia memorável no Café Progresso. Já não sei quando foi, já não o encontro - o momento (e agora lembrei-me do filme "A casa da Lagoa" porque ou se sabe exactamente o momento ou não se pode lá voltar). Trouxe-o emmigo (já suspeitava da impossibilidade de regresso) e consegui até obter uma cópia devidamente autorizada do dito que, por elementar justiça, há muito tempo queria dar a conhecer. Por pudor, aquele pudor que nos obriga a esconder o que de nós há de mais íntimo (sim: há poemas que tomamos para nós; sim: há poemas que ficam a ser nós) nunca o fiz; uma injustiça. Mas eis que hoje, por um mero acaso, o descobri algures por aí já à vista. Alguém colocou a justiça acima do pudor e eu agradeço muito a quem me tirou um peso enorme dos ombros, do peito e da consciência. Ei-lo ali à vista (e aqui inesquecível). Obrigado e obrigado incomunidade: A este Porto Ígneo e Radioactivo

Leituras III

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“Alguns dias mais tarde, Banaka fez a sua aparição no café. Completamente bêbado, sentou-se sobre um tamborete do bar, caiu duas vezes, voltou a subir, pediu uma aguardente de cidra e pousou a cabeça no balcão. Tamina percebeu que ele chorava. «O que é que se passa, sr. Banaka?» perguntou ela. Banaka ergueu um olhar lacrimejante e mostrou o peito com o dedo: «Não sou nada, está a perceber! Não sou nada! Não existo!» Depois foi à casa de banho e da casa de banho directamente para a rua, sem pagar. Tamina contou o incidente a Hugo que à laia de explicação, lhe mostrou uma página de jornal em que estavam várias recensões de livros e uma nota de quatro linhas sarcásticas sobre a produção de Banaka. O episódio de Banaka, a apontar o peito com o indicador e a chorar por não existir, lembra-me um verso do Divan ocidental-oriental de Goethe: Estaremos vivos quando vivem outros homens? Na pergunta de Goethe dissimula-se todo o mistério da condição do escritor: o homem , pelo facto de escrever l...

Leituras I + 1/2

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Servidão Humana é um livro sobre a condição servil do Homem; é um livro sobre escravidão. O Homem como escravo incondicional: do seu corpo - Philip e o seu pé boto e as dificuldade de ser diferente; escravo do amor, do desejo, da atracção irracional e inexplicável; escravo da tradição e da moral - a promessa de sentido no sentido irracional da vida eterna; escravo do futuro, escravo do presente, escravo do passado. Escravo da busca da imortalidade pela arte: a pintura, a literatura. Escravo dessa busca, incessante e jamais satisfeita, do "sentido da vida". Escravo de, apesar de todas as evidências no sentido da incapacidade de o conseguir, querer saber que sentido tem "isto". Escravo de si próprio, sempre, porque escravo do livre arbítrio: "Que preço se pagava para se ser diferente dos animais!" Philip personifica tudo isto de uma forma admirável. 600 páginas de muito mais; um conjunto de novelas e contos, válidos em si mesmos (se separados), mas belissima...

Caramba

Even if I am in love with you All this to say, what's it to you? Observe the blood, the rose tattoo Of the fingerprints on me from you Other evidence has shown That you and I are still alone We skirt around the danger zone And don't talk about it later Marlene watches from the wall Her mocking smile says it all As she records the rise and fall Of every soldier passing But the only soldier now is me I'm fighting things I cannot see I think it's called my destiny That I am changing Marlene on the wall I walk to your house in the afternoon By the butcher's shop with the sawdust strewn "Don't give away the goods too soon" Is what she might have told me And I tried so hard to resist When you held me in your handsome fist And reminded me of the night we kissed And of why I should be leaving Marlene watches from the wall Her mocking smile says it all As she records the rise and fall Of every man who's been here But the only one here now is me I'm figh...

Leituras II

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Interrompi a leitura do Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago. Aconteceu-me o que já me tinha acontecido com a leitura do Ensaio sobre a Lucidez : irritação. A maneira como se retrata o estado, o governo, o sistema de saúde - o poder enfim; a facilidade com que tudo aquilo se revela ser uma, até então insuspeitada, chusma de energúmenos é demais para o meu gosto. Quanto àquilo em que o Homem é capaz de se tornar perante uma situação dramática e fora do seu controle já Júlio Cortázar em 1966 o tinha dito muito bem, em muito menos páginas e sem tiques políticos no pequeno conto La autopista del sur . Qualquer dia recomeço se não tiver nada melhor para ler e entretanto vou ver o filme.

Leituras I

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“O recém-nascido não concebe que o seu corpo é mais parte de si próprio do que os objectos que o rodeiam, e brinca com os dedos dos pés sem a mínima noção de que lhe pertencem mais do que a sua roca; e é só pouco a pouco, através da dor, que compreende a realidade do corpo. São necessárias experiências idênticas para que o indivíduo se torne consciente de si próprio; contudo há uma diferença: enquanto todos igualmente adquirem consciência do corpo como um organismo completo e separado, nem todos adquirem igualmente a consciência de si próprios como uma personalidade completa e separada. O sentimento de diferenciação dos outros surge para a maioria com a puberdade mas não se desenvolve sempre a um grau tal que torne perceptível ao indivíduo a diferença entre o indivíduo e o seu próximo. São estes, os tão pouco conscientes de si próprios como as abelhas numa colmeia, os afortunados na vida, pois têm os melhores ensejos de felicidade: as suas actividades são partilhadas por todos e os seu...