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Se um poema existe apenas na leitura, então, devo dizer que há poemas sem sentido. Nada. Não apontam nada, sítio nenhum. Uma coisa inútil. Uma lástima. Claro que ao poeta (o autor, o criador) não se lhe podem assacar responsabilidades. Não acho que seja questão de ter ou não ter respeito pelo poeta. Como em poucas actividades, não é fácil (pelo menos a mim) descobrir um falsário. Aí talvez fizesse sentido a questão do respeito ou desrespeito. Não é o caso. Não é fácil, mas também não é impossível. A poesia é liberdade, arrisco: do poeta e do leitor; estão muito bem assim cada um no seu fazer e se o acaso aparece de permeio, seja bem vindo. Cito George Oppen que numa entrevista, falando de Ezra Pound (que dizia que a poesia devia ser tão boa como a prosa) disse mais ou menos o seguinte: "a poesia deve ser tão boa como a prosa, etc." Esta era a frase de Pound à qual Oppen acrescenta: "deve aliás ser tão boa quanto o silêncio absoluto". Acrescento que George Oppen fale...
A maravilha dos livros Há livros que maravilham. Uns inteiros outros menos. Algumas vezes nem se sabe bem porquê. É assim. "Hoje não" do José Luís Peixoto, editado pelas Quasi (1) e distribuido baratinho com a revista Sábado (2) reune seis contos, cinco deles anteriormente publicados no Jornal de Letras, apresentando este volume versões revistas dos mesmos. Este livro, não é um daqueles que maravilha inteiro, tão pouco é daqueles que deixa marca nas células do corpo que nasceram durante a sua leitura. Seja como for é um livro delirante, absolutamente delirante. Veja-se bem o que podemos ficar a saber ao lê-lo: "O que fazer quando se recebe um avião comercial de passageiros" "Como reagir à queda súbita de todos os dentes" "Como comunicar com a melhor poetisa do Quirguistão" "Quem inventou o :)" O que me leva a escrever algo sobre este livro são duas frases (duas!!!) no conto ":-) e :-(", precisamente o único inédito. "...
Bate certo!!!
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1 - O que farias se te dissessem: tens 1 minuto de vida? - Respirar como sempre faço. E decerto que não ia pensar nisso. É uma resposta consequente: aparentemente, em 1 minuto não é possível fazer muita coisa; provavelmente, não seria sequer suficiente para pensar na situação. E essa é a questão: não há forma de se saber se vale ou não a pena pensar.
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Valores para o nosso tempo Ando sempre atrasado. Sempre. Só por estes dias me tenho entretido com o livro “Impasses” - aquele ali - e confesso: estou rendido à sua clareza, ao seu “despreconceito”, à coragem dos autores. É uma daquelas obras brilhantes, de interrogação, de convite à abertura de espírito, de convite ao pensamento LIVRE. Notável. Deu-me para pesquisar reacções ao dito livro e claro – confesso aqui um cheirinho de preconceito - já sabia o que iria encontrar. A maioria das críticas aparecem em blogs (quer sob a forma de posts quer sob a forma de comentários) e em meia dúzia de linhas (às quais terão dedicado alguns minutos - em duas penadas portanto) pretendem contrariar – com ou sem argumentos - o que os autores procuram dizer num livro ao qual terão dedicado, no mínimo, algumas semanas; enfim. Não me parece que se possa categorizar estas críticas como má fé; são apenas fruto de “indigência intelectual”. Já quanto a um artigo que encontrei no Esquerda (1), bom, má fé pen...
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O meu chapéu cinzento é um livrinho admirável de Olivier Rolin e compra-se por 1.50€ O texto da badana diz: "O Meu Chapéu Cinzento, de Olivier Rolin, transporta-nos, numa extraordinária viagem, da Alexandria de Cavafy e Durrell à Lisboa de Fernando Pessoa, à Atenas de Melina Mercouri, à Goa de Tabucchi, aos Açores de Antero e dos pescadores de baleias... Recusando embora a classificação de escritor de viagens, Rolin demonstra aqui, porém, a velha e frutuosa ligação que a viagem e a literatura estabeleceram desde que Homero fez Ulisses voltar a Ítaca..." Para abrir o apetite: "... as viagens não são mais do que veleidades de exílios, tal como há suicídios falhados." "As línguas são monumentos tão interessantes como as Pirâmides ou o Parténon. Por que não havemos de visitá-las? Não traríamos delas recordações?" "... Cavafy escreveu isto, que não tem nada de genial: é simplesmente bastante verdadeiro." "Lemos um desses livros cujo objecto é um...
Estava mesmo a precisar de algo assim:
João César das Neves (economista e professor universitário na Católica) opina hoje no Destak sobre ... SEXO! O título da coluna de opinião é “Sexo à esquerda” e JCN discorre sobre uma notícia de um discurso que o primeiro ministro fez em Leiria no passado dia 13. Diz JCN que, nessa notícia, há uma passagem muito reveladora e transcreve: “Para aqueles que acusam o PS de não ter políticas de esquerda, Sócrates deu o exemplo de três leis: a Lei da Paridade, a Lei da Procriação Medicamente Assistida e a Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez” . “Esta declaração é insolita”, afirma JCN e justifica: “O elemento mais surpreendente é que os três diplomas que, na sua (do primeiro ministro) opinião, manifestam a especificidade política do Executivo nada têm a ver com os reais problemas do país. Estamos a passar por um período difícil, com exigentes desafios e decisões a enfrentar. Mas os ministros expressam a sua orientação ideológica só em pontos menores, todos relacionados com o sexo . O...
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Morreu Kurt Vonnegut . Nunca tinha ouvido falar nele, e agora estou com vontade de saber coisas. O seu último livro “A Man Without a Country” de 2005 (" Um homem sem pátria ", Tinta da China, 2006) termina com o seguinte poema. Requiem When the last living thing has died on account of us, how poetical it would be if Earth could say, in a voice floating up perhaps from the floor of the Grand Canyon, “It is done.” People did not like it here. Tenho mesmo muita vontade de conhecer melhor o senhor.
A autoridade em Portugal está pelas ruas da amargura arrastada pela amargura das ruas por onde se passeia uma comunicação social cada vez mais sensacionalista. O mais recente "caso" Jornal Público vs. Sporting é mais um exemplo elucidativo e preocupante. E a minha preocupação reside no facto de ser o Jornal Público; se fosse o 24 Horas, de facto, não estaria tão preocupado. Um por um, acabam os orgãos de comunicação social em que podiamos confiar. As repercusões da decisão do STJ, convenientemente amplificadas pelo jornal (o próprio), foram de tal ordem que pudemos ouvir as mais violentas reacções vindas de pessoas que eu tinha por inteligentes e bem formadas. Acontece que sempre me pareceu que os juizes do STJ (tal como todos os outros) não seriam os idiotas que me estavam a fazer crer as tais pessoas, mas de facto, tudo apontava para que fossem. Falei do assunto com um amigo, juiz, que me fez o favor de elucidar sobre alguns pormenores relacionados com o caso. Segue o email...
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A amizade é ... Pode ler-se aqui um post sobre a importância de ter amigos. O autor do post dá eco a um estudo publicado na revista Veja e reproduz algumas, não sei se todas as, conclusões. São elas: a - Durante a adolescência, passamos mais de 30 por cento do nosso tempo com amigos. Na vida adulta, menos de 10 por cento. b - Ao longo da vida, acumulamos cerca de 400 amigos. Mas mantemos contacto com menos de 10 por cento deles. c - Temos uma ligação directa, em média, com pelo menos 30 pessoas. Destas, só seis são consideradas amigos próximos. d - Quem tem um melhor amigo no escritório é sete vezes mais criativo no trabalho. e - Quem tem um sólido círculo de amigos é 70 por cento mais feliz no casamento. f - A tensão arterial das pessoas mais solitárias é três vezes mais alta do que a das que vivem acompanhadas. g - Acima dos 65 anos, há três vezes mais mortes entre os solitários do que entre os que convivem regularmente com amigos, parentes ou cônjuges. Eu não tenho nada contra estat...
Mudanças! Que as coisas mudem; que os promotores queiram mudar o patrono ; eu até nem sei se isso é uma coisa assim muito má. O que me espanta é que os promotores (Casino Estoril), com a mudança, não se apercebam de que, ao contrário do que suspeito ser a sua intenção, estão a desrespeitar, não o Fernando Namora (se é que tal coisa é possível) mas, a própria Agustina (graças, graças ainda viva) e que se saberá patrona a prazo de um prémio literário. É ridículo, pois é.
A Floribela terminou hoje. Andaram meses a encher couriços: não havia meio de o príncipe e a criadita realizarem o seu amor. Eis que quando finalmente, depois de todos os avanços e recuos, o casalito se decide, o dito príncipe morre num acidente. Nada contra uma Cinderela com final heterodoxo; afinal era o final do suplício. Pensava eu. Como o enchimento de chouriços já começava a raiar o absurdo (até as minhas filhas de 8 e 10 se começavam a fartar daquilo) mas o negócio valia apena, a produção resolveu fazer o príncipe "voltar" do céu e encarnar no corpo do coitado que, assim não quis o destino, deveria ter morrido na sua vez. Está pois assim garantido o enchimento de mais chouriços durante largos meses na tão esperada, e adivinhada, sequela. Eu é que não caio noutra: SIC, proibição total e absoluta; vão chamar estúpido a outro, apre!!!!
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"Não há passos divergentes para quem se quer encontrar." Jorge Palma
NÃO PASSARÁ!!! A OPA da SONAE sobre a PT morreu antes de se saber se o mercado estava interessado no negócio. O estado manteve-se neutro: o seu representante ausentou-se da sala na altura da votação. A desblindagem dos estatutos, condição necessária, foi chumbada com, entre outros, os votos da Caixa Geral de Depósitos. Parece que os acionistas que votaram contra estão contentes com os resultados da empresa. Estão também contentes com as promessas do Dr. Granadeiro de distribuir 6000 milhões de euros pelos accionistas até 2009 ou coisa que o valha. Segundo andou a pregar o queixoso Dr. Granadeiro, a empresa está "parada" há quase um ano. Ainda assim, os resultados foram bons e até dá para distribuir 6000 milhões de euros. NOTAS: - 6000 é basicamente metade dos 11800 que a SONAE estava disposta a desembolsar pela totalidade do capital. Realmente assim ... é negócio: recebem 6000 e mantêm as acções. - o estado manteve-se neutro já que a CGD é, como se sabe, uma empresa marroquin...
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Afirmación, Manuel Clemente Ochoa UMA AFIRMAÇÃO ?A que temperatura lá fora acontece isso dessa lista; ?Onde estava aquilo que a cresceu agora mais tarde; ?Que é de mim embora pouco importe então como aqui. Significado não é atributo das coisas eu sei mas ?não é viver acumular a quem perguntar mais do que tempo? David Fernandes
O dia seguinte Na abertura das jornadas parlamentares do PS, esta tarde, Alberto Martins, tratou também de reafirmar os avisos aos partidos da oposição e aos movimentos cívicos : ninguém vai fazer a nova lei pelo partido socialista. «Não haverá naturalmente aconselhamentos obrigatórios, à revelia do que foi o mandato popular », frisou ainda. «uma vitória do progresso e da modernidade, uma vitória do grupo parlamentar », considerou ainda o mesmo senhor. Este era precisamente o meu receio, único degrau que tive que transpor para votar SIM no passado Domingo. O senhor Martins está a um passo de transformar esse degrau em sapo que hei-de engolir. Não senhor Martins, não foi uma vitória do grupo parlamentar; foi de todas as pessoas, associadas em grupos ou não, que lutaram pelo SIM; foi das mulheres portuguesas em particular e de Portugal em geral. Não haverá aconselhamento obrigatório? Por acaso até não sei porque não há-de haver. Mas, " à revelia da vontade popular " ?!?!?!? Não...
Da amizade Os “voos da CIA” ainda são notícia. Desde sempre me pareceu razoável e até plausível que tal coisa tenha de facto acontecido. Afinal, os EUA são um estado amigo de Portugal e não me espanta que tais cumplicidades se estabeleçam entre “amigos”. A insistência na questão advém de lutas políticas caseiras (especialmente de tipo fratricida) mais do que outra coisa qualquer; a “ilegalidade” é apenas máscara. Atrocidades muito mais graves são diáriamente cometidas contra inocentes (não alegadamente inocentes) e ninguém lhes passa cartão. Adiante. Ora, se é plausízel que aquelas cumplicidades acontecem, a minha dúvida é a seguinte e de fácil resposta: Quem é mais amigo de Portugal: eu ou os EUA? Correrei riscos ao, por exemplo, criticar abertamente o Senhor Bush? Estarei a salvo daquele tipo de amizade entre estados? Poderei contar com Portugal? Não adianta ter medo se só posso contar comigo e com os meus, que como eu são menos amigos de Portugal do que os EUA.
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Conjectura número tal A verdade é que, de tudo o que não tem utilidade, talvez apenas de ti me seja difícil prescindir; ainda que saiba perfeitamente que te bastas, ou assim me parece e desejo. E esse facto preocupa-me; digo, ter contacto apenas com o que utilitário, me permite viver com conforto. Se a felicidade existe é coisa de grande inutilidade e desconforto; já uma conjectura ainda terá algum uso ... e explicação.
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