This is not America
(Letra e música: David Bowie and Pat Metheny)
A little piece of you
The little peace in me
Will die
For this is not America
Blossom fails to bloom
This season
Promise not to stare
Too long
For this is not the miracle
There was a time
A storm that blew so pure
For this could be the biggest sky
And I could have
The faintest idea
For this is not America
Snowman melting
From the inside
Falcon spirals
To the ground
So bloody red
Tomorrow's clouds
A little piece of you
The little piece in me
Will die
For this is not America
There was a time
A wind that blew so young
For this could be the biggest sky
And I could have the faintest idea
For this is not America
This is not america, no, this is not
quarta-feira, março 05, 2008
Não, não é isto
segunda-feira, março 03, 2008
Do engenho
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Rua do Alecrim - Lisboa; fotografia de Tereza Del Pilar
Do engenho
na esquadria dos edifícios em ruas
como a sua própria sombra nas estremas do dia
ou as manchas de urina nas paredes;
na forma da vizinhança,
nos soalhos parados como a água das vasilhas
que não são homotetias do rio;
na luta surda que por ali não há...
David Augusto Fernandes
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Ah comunicação, comunicação

Mário de Carvalho, em entrevista a um jornal com e de letras.
O entrevistador, na pergunta anterior diria, premonitoriamente, a propósito de palavras de Umberto Eco, o seguinte:
"Por isso, com certa ironia, ele conclui que a televisão é o media mais democrático porque nivela e formatiza tudo e todos... por baixo.".
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
domingo, fevereiro 17, 2008
Os tops dos super-pops
E, a meu ver, o problema não está na educação; aliás a educação não incentiva nenhum tipo de leitura, e nisso a prosa é tão mal amada quanto a poesia.
Há mitos que nunca se hão-de eliminar como por exemplo, acreditar que se chama um miúdo para a poesia através dos Lusíadas. Não pode ser.
Mercado é retorno (valorizado) de investimento. Mercado é falsidade, engodo, engano.
O mercado chegou à prosa há muito tempo: veja-se a quantidade lamentável de sucedâneos do lamentável "Código"!!!
Expliquem-me porque se vendem aos milhares coisas como "Os pilares da terra" do Ken Follett (que eu também li sim senhor e que diverte muito, ok) mas não se vendam ao menos umas centenas de, por exemplo, "A casa do pó" e demais notáveis romances do Fernando Campos. Dou este exemplo apenas porque, podemos dizer que são "do mesmo tipo", acrescendo a que no caso do Fernando Campos, o assunto é Portugal, as nossas coisas, a nossa história, os nossos lugares?? Já para nem falar na qualidade da escrita; incomparável a favor do nosso romancista histórico.
Expliquem-me por favor.
Expliquem-me porque vende como tremoços um lamentável (para dizer pouco) José Rodrigues dos Santos (já tive oportunidade de escrever algo sobre isto aqui) e, (apenas para manter a semelhança jornalistica), porque não vende o mesmo um ADMIRÁVEL Rodrigo Guedes de Carvalho??? Porque é que, apenas por serem ambos jornalistas, se coloca tudo no mesmo saco?
Porque raio ninguém sabe quem é um valter hugo mãe, nem o da poesia nem o da prosa, ambas de um nível elevadíssimo?
Como comecei por dizer, não tenho certezas, e nem tenho nada contra quem pretenda fazer vida da escrita, seja da prosa seja da poesia, mas é que absolutamente nada. Mas, nas coisas das artes, desconfio do mercado, sempre.
Além de que o mercado não resolve tudo muito menos afina qualidade.
Sabendo que os editores PAGAM às grandes superfícies (malfadadas que já chegaram aos livros) para que estas coloquem os SEUS livros nos escaparates principais, não é de prever grande coelho desta lura. E só pagam se tiverem um risco mínimo de não retorno.
Esta exagerada visibilidade de produtos fracos tem um outro resultado perverso: quantos livros se oferecem? Se pensarmos no fraco nível de leitura deste país de miséria (a maioria dos livros que se oferecem não foram lidos - como é óbvio) quais são os livros com probabilidades de serem comprados para serem oferecidos; é a bosta visível à frente.
Depois os números e as estatísticas com que nos querem enganar. Pergunto por exemplo: quantos dos 150000 exemplares vendidos de um Codex (do JR dos Santos), foram de facto lidos? E desses, quantos foram lidos até ao fim? (Falo apenas de um livro MAU com uma saída incrível).
É o circo mediático como está muito na moda dizer-se.
Há uns tempos, havia pouco tempo do anúncio do Nobel deste ano (Doris Lessing), passeava eu pela FNAC e qual não é o meu espanto quando vejo os escaparates cheios de livros da senhora. O meu espanto não foi a quantidade de livros, foi o preço. A Livros do Brasil na colecção Dois Mundos, tinha há muito editado Doris Lessing; pois vão à FNAC ver o preço a que estão esses livros e vão ao site da editora ver a quanto são vendidos?
Acredito que a poesia estará sempre fora disto; acredito e desejo.
Vou repetir: não tenho nada contra quem queira fazer vida da escrita.
Vou repetir: não tenho certezas nenhumas; é provável que mude de opinião à medida que for reflectindo nisto; quem for burro que puxe carroça, eu não sou.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Acompanhante: pai
Alguém que escreve assim, fica automaticamente [era aqui o gato] perdoado de qualquer pequena ou grande falta; faz-me sentir indigno de apontar um cabelo fora do lugar.
Dois extractos:
"Assistirmos ao sofrimento do nosso filho é estarmos em carne viva por dentro, é não termos pele, é um incêndio a arder no mundo inteiro, mesmo no mundo inteiro. E cada som do nosso filho a sofrer é silêncio em brasa, é a cabeça cheia de silêncio em brasa, o peito cheio, incandescente, o mundo inteiroem brasa."
(...)
"É então que a mãe e eu sentimos que nascemos em dias específicos,em lugares específicos e avançamos por caminhos, fizemos escolhas,tivemos vocações e segredos apenas para nos encontrarmos neste menino que dorme diante de nós, e que é o rosto da nossa alma."
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Os prémios, os prémios
José Luís Peixoto venceu o Prémio Daniel Faria e nada se pode questionar que logo atiram a etiqueta da inveja, essa coisa feia. O facto de ser um Prémio que visa incentivar o aparecimento de novos poetas, nada diz a ninguém, a não ser "invejoso".
As palavras do jurado Jorge Reis-Sá, editor das Quasi, que publicará a obra vencedora, dizem bem da falta de senso de que enfermam algumas cabeças:
“Foi mesmo uma grande surpresa, mas uma surpresa boa, porque vem dar força e credibilidade ao prémio."
Eu pensava que surpresa, surpresa, surpresa mesmo boa, seria encontrar um novo valor, não?? Não daria, isso sim, mais força e credibilidade ao prémio? Parece que não.
"Durante a leitura dos originais, já tinha suspeitado que se tratava de um autor experiente, com grande domínio da linguagem e das técnicas de escrita, e não alguém que envia o seu primeiro livro."
Pergunto: é isto um incentivo a quem "envia o seu primeiro livro"? Desgraçadinhos.
“Gostava de salientar a extraordinária humildade do Zé Luís, que ao querer ficar associado a este prémio, e ao nome do Daniel Faria, correu o risco de perder para um autor desconhecido ou, pior ainda, de receber uma mera menção honrosa.”
Pergunto: precisará o JLP de provar alguma coisa a alguém?
Pergunto: uma menção honrosa, como dizem as palavras, não é uma menção ... HONROSA?? Ou será apenas uma honra de derrotado?
A coisa não é nova: veja-se o recente Prémio Nuno Júdice atribuido pela CM de Aveiro, vencido por esse consagrado papa-prémios da literatura portuguesa que é José Jorge Letria. O facto de, também este, ser um prémio que pretendia incentivar novos poetas, nada diz a ninguém.
Enfim, como eu, ingénuo, crente, diria ridículo, concorri a esse, podem chamar-me invejoso à vontade.
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Descubra as diferenças
Enquanto Portugal se mostra ao mundo com futebóis, AllGarves e WestCoasts, Espanha faz assim (deve ser do conservadorismo patriótico, retrógrado e monárquico).
Merda; estou um bocadinho triste
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Phonix!!!!
Só aquela capacidade de associação me fez saltar disto para um Paul Simon (que não chupo nem à lei da bala) nas suas "50 maneiras de deixares o teu amor".
Ponto em comum, lei mais forte que a da bala: um improvável Steve Gadd, senhor que, diz-se, criou o disco beat
... e não é como as cerejas, é mais como o Vinho do Porto.
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Antes de nós

A rotação do pulso no virar do tempo
para uma aferição aproximada
do longe
antes do metódico aconchego dos óculos
a aclarar a voz;
o passo diferente
sobre a sombra pastel
ao abrigo da aresta
entre o passeio e a soleira:
cimento e mármore,
linha real
de uma mudança de estado
depois imaginado.
David Augusto Fernandes
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Apontamentos desconexos
Há contudo outras que pela inconstância, paixão, impulso, fazem das suas vidas (voluntária ou involuntáriamente) histórias impossíveis de contar com razoabilidade. Mas têm momentos de puro brilho explosivo: 2 minutos apenas que nunca mais se esquecem.

Diz-se que são livros difíceis; diz-se muito isso. Talvez como livros de poesia, digo eu.
“A ordem natural das coisas” de António Lobo Antunes (Dom Quixote, 1992) é como uma daquelas pessoas; é como uma filigrana tridimensional, um cubo de bilros; maciço mas como diria quem o visse impresso em papel transparente.
Ao pé dele, um “Todo-o-mundo” de Phillip Roth, autor de quem Lobo Antunes é confesso admirador, é uma brincadeira.
No entanto ...
quinta-feira, janeiro 31, 2008
Os Lusíadas em números

Os substantivos mais utilizados n'Os Lusíadas são:
- gente (220)
- terra (216)
- rei (194)
- mar (187)
- mundo (103)
- céu (81)
- reino (77)
- Que (779)
- E (439)
- A (347)
- De (334)
- O (292)
- Mas (221)
- Por (181)
- Com (177)
- Os (155)
- Não (149)
Gente, é o substantivo mais frequentemente usado como início de verso. Há 9 versos começados com Gente.
Camões utiliza um vocabulário de 8786 palavras sendo que a obra é composta por um total de 52917 palavras.
A palavra não aparece 556 vezes enquanto a palavra sim não aparece nenhuma.
Quem quiser saber mais coisas, pergunte.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
sábado, janeiro 19, 2008
Louise Gluck sobre George Oppen
Adenda: Parece que não dá. "Prontos", quem quiser pode vê-lo aqui, por enquanto.
quinta-feira, dezembro 13, 2007
terça-feira, dezembro 04, 2007
Do forno, quentinho, quentinho

Descrição na Amazom:
terça-feira, novembro 27, 2007
Ideias para o pai natal

Seguem-se os primeiros parágrafos destes dois romances de José Rogrigues dos Santos que “roubei” (os extractos) no Jumbo; negritos e sublinhados meus.
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“O homem dos óculos escuros riscou o fósforo e colou a chama violácea à ponta do cigarro. Aspirou forte e uma nuvem acinzentada ergueu-se do rosto, devagar, fantasmagórica. |
Confesso, não li os livros, não os tenho, mas prometo lê-los se alguém mos oferecer; está aí o Natal e aí estão duas boas ideias.
Repito: não li os livros mas aqueles poucos parágrafos bastam. Da sua leitura surgem uma dúvida e uma certeza.
A dúvida: como é possível vender centenas de milhar de livros que começam de forma tão ... lamentável.
A certeza: qual a melhor maneira de escrever livros volumosos.
quarta-feira, novembro 21, 2007
Matrix

Perguntava-lhe o entrevistador:
- Alguma vez a Inteligência Artificial poderá ser tão totalizante como nessa fábula cinematográfica? (sobre o filme Matrix)
Resposta do físico:
- Não. Eu tenho mais medo da estupidez natural do que da inteligência artificial.
terça-feira, outubro 30, 2007
Ordem de trabalhos
e em silêncio
falemos de como há tempo
na intermitência da luz
e de como os pássaros vingam
nem sempre
falemos de ontem
da vibração dos edifícios
e de como as cores se concentram
em volta
falemos de grandezas absolutas
tomemos horas
e aviemo-nos de caminho
David Augusto Fernandes

