sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Descubra as diferenças

Enquanto Portugal vende o seu património cultural para tremoços, condomínios de luxo e outras coisas muito Ocidentais e evoluídas; enquanto em Portugal (uma república) se discute, coisa espantosa, a monarquia.

Enquanto Portugal se mostra ao mundo com futebóis, AllGarves e WestCoasts, Espanha faz assim (deve ser do conservadorismo patriótico, retrógrado e monárquico).

Merda; estou um bocadinho triste

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Phonix!!!!

O youtube é uma daquelas coisas como as cerejas. Está bem feito; é como dizem os espanhóis, adictivo.




Só aquela capacidade de associação me fez saltar disto para um Paul Simon (que não chupo nem à lei da bala) nas suas "50 maneiras de deixares o teu amor".

Ponto em comum, lei mais forte que a da bala: um improvável Steve Gadd, senhor que, diz-se, criou o disco beat

... e não é como as cerejas, é mais como o Vinho do Porto.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Antes de nós



A rotação do pulso no virar do tempo
para uma aferição aproximada
do longe
antes do metódico aconchego dos óculos
a aclarar a voz;

o passo diferente
sobre a sombra pastel
ao abrigo da aresta
entre o passeio e a soleira:
cimento e mármore,
linha real
de uma mudança de estado
depois imaginado.

David Augusto Fernandes

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Apontamentos desconexos

Há pessoas sobre as quais se pode dizer tudo: têm uma vida recta, pode-se contá-la com facilidade. Tudo é correcto e sem dias estranhos, sem gostos inoportunos, sem indecisões.

Há contudo outras que pela inconstância, paixão, impulso, fazem das suas vidas (voluntária ou involuntáriamente) histórias impossíveis de contar com razoabilidade. Mas têm momentos de puro brilho explosivo: 2 minutos apenas que nunca mais se esquecem.






Diz-se que são livros difíceis; diz-se muito isso. Talvez como livros de poesia, digo eu.

“A ordem natural das coisas” de António Lobo Antunes (Dom Quixote, 1992) é como uma daquelas pessoas; é como uma filigrana tridimensional, um cubo de bilros; maciço mas como diria quem o visse impresso em papel transparente.

Ao pé dele, um “Todo-o-mundo” de Phillip Roth, autor de quem Lobo Antunes é confesso admirador, é uma brincadeira.


No entanto ...

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Os Lusíadas em números



Os substantivos mais utilizados n'Os Lusíadas são:

  1. gente (220)
  2. terra (216)
  3. rei (194)
  4. mar (187)
  5. mundo (103)
  6. céu (81)
  7. reino (77)
1750 inícios de verso distintos e os mais frequentes são:
  1. Que (779)
  2. E (439)
  3. A (347)
  4. De (334)
  5. O (292)
  6. Mas (221)
  7. Por (181)
  8. Com (177)
  9. Os (155)
  10. Não (149)

Gente, é o substantivo mais frequentemente usado como início de verso. Há 9 versos começados com Gente.

Camões utiliza um vocabulário de 8786 palavras sendo que a obra é composta por um total de 52917 palavras.

A palavra não aparece 556 vezes enquanto a palavra sim não aparece nenhuma.

Quem quiser saber mais coisas, pergunte.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Dúvidas

Porque vemos as livrarias pejadas com:






e não com:




sábado, janeiro 19, 2008

Louise Gluck sobre George Oppen

Adenda: Parece que não dá. "Prontos", quem quiser pode vê-lo aqui, por enquanto.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Do forno, quentinho, quentinho

Para quem não sabe ainda o que me oferecer no natal, eis uma boa ideia acabadinha de existir:







Descrição na Amazom:

Regard for George Oppen's poetry has been growing steadily over the last decade. Peter Nicholls's study offers a timely opportunity to engage with a body of work which can be both luminously simple and intriguingly opaque. Nicholls charts Oppen's commitment to Marxism and his later explorations of a 'poetics of being' inspired by Heidegger and Existentialism, providing detailed accounts of each of the poet's books. He is the first critic to draw extensively on the Oppen archive, with its thousands of pages of largely unpublished notes and drafts for poems; in doing so, he is able to map the distinctive contours of Oppen's poetic thinking and to investigate the complex origins of many of his poems. Oppen emerges from this study as a writer of mercurial intensities for whom every poem constitutes a 'beginning again', a freeing of the mind from thoughts known in advance. A strikingly innovative and challenging poetics results from Oppen's attempt to avoid what he regards as the errors of the modernist avant-garde and to create instead a designedly 'impoverished' aesthetic which keeps poetry close to the grain of experience and to the political and ethical dilemmas it constantly poses.

terça-feira, novembro 27, 2007

Ideias para o pai natal



Seguem-se os primeiros parágrafos destes dois romances de José Rogrigues dos Santos que “roubei” (os extractos) no Jumbo; negritos e sublinhados meus.


“Quatro.

O velho historiador não sabia, não podia saber, que só lhe restavam quatro minutos de vida.

O elevador do hotel aguardava-o de portas escancaradas e o homem carregou no décimo segundo botão. O ascensor iniciou a viagem e o seu ocupante admirou-se ao espelho. Achou-se acabado, viu-se calvo no topo da cabeça, apenas tinha cabelo por trás das orelhas e na nuca; e eram cabelos gastos, alvos como a neve, tão brancos quanto a barba rala que lhe escondia a cara magra e chupada, riscada por rugas profundas, arreganhou os lábios e analisou os dentes desalinhados, amarelos de tão baços, com excepção dos falsos que lhe tinham sido implantados, eram esses os únicos que respiravam uma saúde nívea de marfim.

Três.

Um tim suave foi a forma encontrada pelo elevador para lhe anunciar que tinha chegado ao destino, era favor o ocupante sair e ir à sua morte porque ele, o elevador, tinha mais hóspedes para atender. O velho pisou o corredor, virou à esquerda, procurou com a mão direita a chave no bolso e encontrou-a; era uma ficha branca de plástico com o nome do hotel num lado e uma fita escura no outro; a fita continha o código da chave. O velho colocou a ficha na ranhura da porta, acendeu-se uma luz verde na fechadura, rodou a maçaneta e entrou no quarto.”

Prólogo - O códex 632


“O homem dos óculos escuros riscou o fósforo e colou a chama violácea à ponta do cigarro. Aspirou forte e uma nuvem acinzentada ergueu-se do rosto, devagar, fantasmagórica.
O homem percorreu a rua com o olhar azul e apreciou a placidez daquele recanto aprazível.

Fazia sol, os arbustos coloriam de verde os jardins mimosos, graciosas casas de madeira espreitavam a rua, as folhas tremelicavam sob a brisa leve da manhã, o ar ameno encheu-se de aroma e melodia, perfumado pela fragância fresca das glicínias, embalado pelo estridular laborioso das cigarras na relva rasteira e pelo arrulhar meigo de um beija flor. Uma gargalhada despreocupada juntou-se ao harmonioso concerto da natureza, era uma criança loira que guinchava de alegria e saltitava pelo passeio, puxando um colorido papagaio por uma corda.

Primavera em Princeton.”

Prólogo - A Fórmula de Deus

Confesso, não li os livros, não os tenho, mas prometo lê-los se alguém mos oferecer; está aí o Natal e aí estão duas boas ideias.

Repito: não li os livros mas aqueles poucos parágrafos bastam. Da sua leitura surgem uma dúvida e uma certeza.

A dúvida: como é possível vender centenas de milhar de livros que começam de forma tão ... lamentável.

A certeza: qual a melhor maneira de escrever livros volumosos.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Matrix




Os quilolitros de preto, as toneladas de pasta de árvore, os quilowatts de pensamentos consumidos com a sandice Chavez vs. Juan Carlos só me dão para pensar numa recente entrevista que Carlos Fiolhais deu, salvo erro, ao JN.

Perguntava-lhe o entrevistador:

- Alguma vez a Inteligência Artificial poderá ser tão totalizante como nessa fábula cinematográfica? (sobre o filme Matrix)

Resposta do físico:

- Não. Eu tenho mais medo da estupidez natural do que da inteligência artificial.

terça-feira, outubro 30, 2007

Ordem de trabalhos

falemos em caligrafia
e em silêncio

falemos de como há tempo
na intermitência da luz
e de como os pássaros vingam
nem sempre

falemos de ontem
da vibração dos edifícios
e de como as cores se concentram
em volta

falemos de grandezas absolutas
tomemos horas
e aviemo-nos de caminho

David Augusto Fernandes

terça-feira, outubro 02, 2007

Travian: romanos, gauleses e teutões

Chama-se e é um jogo.

O objectivo é criar, desenvolver e expandir uma aldeia. Saquear uma aldeia vizinha é apenas umas das formas de aumentar os stocks de cereais, madeira, ferro e barro. Criar ou juntar-se a uma aliança com outras aldeias é também possível.

À primeira vista é um jogo complicadíssimo. Nada mais errado: a forma gradual como as "coisas" nos vão aparecendo como que nos ajuda a ir percebendo o funcionamento do jogo sem stress.

Para jogar basta um browser e, claro, acesso à internet.

Não custa um centavo, não exige praticamente atenção e é muito divertido.


Uma aldeia

O centro da aldeia



As redondezas


Relatório de um ataque


Interessado?? Clique aqui (se se registar a partir deste link eu ganho alguma coisita para a minha própria aldeia; preferindo o link directo sem benesses para moi méme, clique aqui)

Registe-se e experimente. Vá seguindo as dicas que o próprio sistema lhe vai fornecendo e, tendo tempo, procure informação ... no google por exemplo; "é aos milhares".

Divirta-se.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Porque compro alguns livros


"Quero deixar memórias dos dias que não foram, lembrança do tempo roubado e do torvelinho de emoções que agitou aqueles dias sem sol nem noite. Não quero falar da dor, só o necessário. A dor continua aí, encolhida, como um animal adormecido que às vezes acorda. Mas o sofrimento tem algo de impúdico quando se torna público. Ninguém quer enfrentar o horror, a ninguém agrada recordá-lo. Essa é sempre a vantagem do verdugo: as suas obras são tão horríveis que rapidamente caem no esquecimento."

"Os demónios à minha porta"
José Manuel Fajardo

quinta-feira, setembro 27, 2007

Isto sim, é um espectáculo


Enquanto o Ricardo Costa, acometido de um inusitado ataque de autismo, perdia o sono a pensar na maneira mais eficiente de aumentar a velocidade da sua fuga em frente, o Destak fazia umas contas.

Nem era preciso, toda a gente sabe: as prestações do crédito à habitação cresceram 20% nos últimos dois anos. Se pensarmos em quanto cresceram os salários .... pois é.

Por isso, políticos, jornalistas da especialidade e demais mentirosos, peguem nas vossas continhas sobre a inflação e o poder de compra e metam-nas num sítio que eu cá sei.


Imagem de uma cratera, acredito que, no planeta Marte.

Isto não é espectáculo



Pedro Santana Lopes abandonou, em directo na SIC-Notícias, entrevista interrompida por (também) directo da chegada de José Mourinho ao aeroporto de Lisboa.

A jornalista da SIC Notícias que entrevistou Santana Lopes justificou que a interrupção da entrevista se baseou em critérios editoriais. «Não houve intenção de desrespeitá-lo, tratou-se de uma decisão editorial», afirmou Ana Lourenço à Agência Lusa, sublinhando que a SIC Notícias «é uma estação que trabalha 24 horas» e que a chegada do ex-treinador do Chelsea ao aeroporto de Lisboa era «um assunto da actualidade que fazia parte do alinhamento».

Lá que a chegada de José Mourinho era “um assunto da actualidade” não há dúvida, tanto que aconteceu!!! Agora, que fazia parte do alinhamento!?!?!?. Uau. Porquê?

Algumas hipóteses:

1) Precisar a hora exacta da chegada?
2) Perguntar-lhe de onde vinha e/ou para onde ia?
3) Como tinha decorrido a viagem?
4) Verificar se viajava sozinho ou se, pelo contrário, era acompanhado pela mulher e/ou os filhos?
5) Perguntar-lhe pela 1000ª vez para que clube iria trabalhar?

Mas ainda que houvesse qualquer coisa de interessante a ver ou a perguntar-lhe tinha que ser transmitido em directo?

Pois parece-me que não; e se não, a decisão editorial foi errada. Acontece aos melhores.

A decisão editorial acertada (fala um burro) era o óbvio: deslocar os profissionais da SIC necessários ao aeroporto (e nem era preciso carro de exteriores), gravar a chegada e eventuais reacções do “chegado” e, já que "é uma estação que trabalha 24 horas", transmitir isso mais tarde, por exemplo, no final da entrevista ao Santana Lopes.

Assim não decidiram e deu no que deu.

O Ricardo Costa veio defender a sua dama lá da melhor maneira que pôde dizendo que Santana Lopes escolheu praticar uma “acção espectacular, muito ao seu jeito”.

Mas oh Ricardo Costa, então não é espectáculo que você procura?

Não foi espectáculo que pretenderam mostrar ao cobrir em directo a chegada do José Mourinho?

Pois se era espectáculo que queriam foi espectáculo que tiveram; embrulhem.

Ou será que, para o senhor, tudo é espectáculo legítimo desde que não seja você o bobo?

É que se é assim, este tipo de comportamento (e as pessoas que o praticam) tem nome (estou até a lembrar-me de vários): mas direi que é apenas incoerente.

Adenda às 22:00

A Direcção de Informação da SIC emitiu, pelos vistos, uma "nota".

Reza assim:

"A SIC entende que não faltou ao respeito a Pedro Santana Lopes e que a chegada de José Mourinho não era um elemento perturbador de uma entrevista para a qual tínhamos previsto cerca de 30 minutos.
A SIC Notícias é, seguramente, a televisão portuguesa que mais importância dá à política nacional. A atitude desproporcionada de Pedro Santana Lopes não altera a nossa linha editorial."

Só a SIC entende que não faltou ao respeito a Pedro Santana Lopes. Só a SIC entende que uma interrupção não é um elemento perturbador.

A SIC Notícias, sendo o único canal que emite 24 horas de informação, não só é o que mais importância dá à política nacional como também, suspeito, é o que mais importância dá à política internacional, ao desporto, à cultura, etc, etc, etc.

Só a SIC não vê que desproporcionado (e despropositado) foi o destaque dado à "aterragem" de José Mourinho na Portela.

Só a SIC não percebe a urgência que tem em mudar a sua linha editorial.

Como dizia o outro: cada cavadela, cada minhoca. Apre!

Diz o povo, e com razão, que não há pior cego do que aquele que não quer ver.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Palavras impossíveis de aturar



Confesso: há palavras que me irritam e inalienável é uma delas.

Inalienável soa-me a dogma, a sim porque sim, não porque não, em suma: a argumento dos sem argumento.

Hoje na TSF:

"Os trabalhadores desta empresa (Valorsul) responsável pelo tratamento do lixo nos concelhos de Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora e Odivelas não estão a cumprir os serviços mínimos exigidos num protesto contra a discrepância de aumentos dados à administração (30 por cento) e aos funcionários (1,5 por cento)."

"Em declarações à TSF, o sindicalista Delfim Mendes confirmou que a paralisação está a ter uma adesão de 80 por cento entre os cerca de 260 trabalhadores da Valorsul e que está terá consequências visíveis na acumulação de lixo nas próximas horas."

Sabe-se:

1. O direito à greve é um daqueles inalienáveis.

2. A obrigação de serviços mínimos é alienável.

3. A vergonha de políticos e sindicalistas há muito foi alienada: aqueles a troco de votos, estes a troco de números (que é a única coisa que lhes interessa: níveis de adesão); ambos a troco de tacho.

4. O direito dos cidadãos, completamente alheios ao circo, a não viverem suterrados em imundíce é alienável.

À nossa moda, a greve, por muitas voltas que se lhe dê, é uma chantagem criminosa; não teria a irrisória utilidade que tem se não fosse.

E para final conversa ...



Ele há mil e uma maneiras de manter uma conversa sem sentido, m
as muito menos de a terminar de forma inequívoca.

A propósito dos malfadados livros que não mudaram vidas, Abel Barros Batista (que eu infelizmente não conheço) citado pela Carla Quevedo (que eu também infelizmente não conheço) no bomba-inteligente diz:

"A única maneira de tornar a conversa aceitável, digamos assim, seria propor a quem nos dissesse que certo livro não lhe mudou a vida: «Bom, vamos lá então saber que vida tem sido a sua…»"

Genial.

terça-feira, setembro 18, 2007