segunda-feira, setembro 03, 2007



O Vento

Posso ouvir o vento passar
assistir à onda bater
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...
Eu pensei
que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar.
Um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás?
Por que será?
...vou pensar.

- Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
- Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi,
o vento leva!
- Não sei mas
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer...
e isso por que?
Diz mais!
Uh, se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem então
o que resta é chorar e talvez,
se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.
Um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
lento o que virá
e se chover demais
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
Só de encontrar... ah!...

Rodrigo Amarante
Los Hermanos

terça-feira, agosto 28, 2007

20 minutos sem nada de especial para fazer:

"Paranoimia" - The Art of Noise
"Cruel Summer" - Bananarama
"Manic Monday" - The Bangles
"Can't stop the Ranch"- Bunnyranch
"Talking Hearts" - Carla Bley
São Vicente di longe" - Cesária Évora


A ordem é alfabética.

Isto deve querer dizer alguma coisa.

terça-feira, agosto 21, 2007


Passo todos os dias pela livraria depois de almoçar. Agora ando atrás de livros/revistas/sites sobre vela. Pois é; vou construir um veleiro e correr mar.

Adiante.

Passo pela livraria e hoje havia “novidade”: PÂNICO de Jeff Abbott.

Na capa do livro pode ler-se:

“Um dos melhores livros do ano” e quem o diz é Harlan Coben.

Espantosas coisas se dizem ... e a gente nem refila.

Como é possível alguém, mesmo que seja Harlan Coben (seja ele quem for), dizer semelhante coisa?

Não é o raio do artigo indefinido que me irrita. É o facto de Harlan Coben ter lido TODOS os livros do ano.

Adenda às 16:46
Pensando melhor, afinal não precisa de ter lido TODOS os livros. Num certo sentido o que ele diz é uma verdade absoluta.

Imaginemos que no ano se publicaram 10000 livros. O pior deles, é ainda assim um dos melhores; mais precisamente o 10000º melhor.

segunda-feira, julho 16, 2007

George Oppen

Se um poema existe apenas na leitura, então, devo dizer que há poemas sem sentido. Nada. Não apontam nada, sítio nenhum. Uma coisa inútil. Uma lástima.

Claro que ao poeta (o autor, o criador) não se lhe podem assacar responsabilidades.

Não acho que seja questão de ter ou não ter respeito pelo poeta. Como em poucas actividades, não é fácil (pelo menos a mim) descobrir um falsário. Aí talvez fizesse sentido a questão do respeito ou desrespeito. Não é o caso.

Não é fácil, mas também não é impossível.

A poesia é liberdade, arrisco: do poeta e do leitor; estão muito bem assim cada um no seu fazer e se o acaso aparece de permeio, seja bem vindo.

Cito George Oppen que numa entrevista, falando de Ezra Pound (que dizia que a poesia devia ser tão boa como a prosa) disse mais ou menos o seguinte:

"a poesia deve ser tão boa como a prosa, etc."
Esta era a frase de Pound à qual Oppen acrescenta:

"deve aliás ser tão boa quanto o silêncio absoluto".

Acrescento que George Oppen faleceu vitimado pela Doença de Alzeimer.

Talvez tenha nesse último momento, imerso no silêncio mais absoluto, feito o seu mais belo poema: o tal tão bom como ...

Tenho uma tendência absurda para confundir o homem com o poeta e para me encontrar apaixonado (na falta de palavra mais exacta) pela poesia por via do homem.

Provavelmente, isto quer dizer que não creio na poesia feita com intuito que não o de .. fazer poesia.

Novamente Oppen: parou de escrever poesia durante 25 anos (25!!!) enquanto se dedicou de forma mais "séria" ao activismo político.
25!!!! Dizia ele que uma e outra actividades acabariam por se "contaminar" irremediavelmente.

Creio que somos o que dizemos, não tenho muitas dúvidas, por isso estou perfeitamente convencido de que se percebe o meu pouco apreço pela poesia de caracter panfletário (político, vá). E bem sei que Portugal é muito rico nesse particular. Bem sei o que me pode custar ter esta maneira de ver a coisa.

Só para explicar a admiração pelo George Oppen, um homem (e uma mulher - Mary Oppen) admirável(eis); uma vida admirável.
... aliás muito prejudicada por essa amizade com Ezra Pound de quem politicamente se encontravam tão longe quanto se possa imaginar.

Apesar disso ...

sábado, julho 14, 2007

A maravilha dos livros

Há livros que maravilham. Uns inteiros outros menos. Algumas vezes nem se sabe bem porquê. É assim.

"Hoje não" do José Luís Peixoto, editado pelas Quasi(1) e distribuido baratinho com a revista Sábado(2) reune seis contos, cinco deles anteriormente publicados no Jornal de Letras, apresentando este volume versões revistas dos mesmos.

Este livro, não é um daqueles que maravilha inteiro, tão pouco é daqueles que deixa marca nas células do corpo que nasceram durante a sua leitura.

Seja como for é um livro delirante, absolutamente delirante. Veja-se bem o que podemos ficar a saber ao lê-lo:

"O que fazer quando se recebe um avião comercial de passageiros"
"Como reagir à queda súbita de todos os dentes"
"Como comunicar com a melhor poetisa do Quirguistão"
"Quem inventou o :)"

O que me leva a escrever algo sobre este livro são duas frases (duas!!!) no conto ":-) e :-(", precisamente o único inédito.

"Inclinando-me pela janela, conseguia ver os carros que se sucediam na Avenida da Igreja. Compará-los a sangue nas artérias seria uma comparação evidente, de tom algo grosseiro, mas exacta."

O conto não seria diferente sem estas frases; é um facto. Mas estão lá e ainda bem. Podia parar a leitura; estou satisfeito.

Fico maravilhado com o óbvio; com o desnecessário. Um livro deve ter aquilo que é preciso que tenha; dê lá por onde der.

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sexta-feira, julho 13, 2007

Bate certo!!!
1



The Persistence of Memory, c.1931 por Salvador Dali

- O que farias se te dissessem: tens 1 minuto de vida?
- Respirar como sempre faço. E decerto que não ia pensar nisso.

É uma resposta consequente: aparentemente, em 1 minuto não é possível fazer muita coisa; provavelmente, não seria sequer suficiente para pensar na situação.

E essa é a questão: não há forma de se saber se vale ou não a pena pensar.

terça-feira, junho 26, 2007

Valores para o nosso tempo
Ando sempre atrasado. Sempre.

Só por estes dias me tenho entretido com o livro “Impasses” - aquele ali - e confesso: estou rendido à sua clareza, ao seu “despreconceito”, à coragem dos autores. É uma daquelas obras brilhantes, de interrogação, de convite à abertura de espírito, de convite ao pensamento LIVRE.

Notável.

Deu-me para pesquisar reacções ao dito livro e claro – confesso aqui um cheirinho de preconceito - já sabia o que iria encontrar.

A maioria das críticas aparecem em blogs (quer sob a forma de posts quer sob a forma de comentários) e em meia dúzia de linhas (às quais terão dedicado alguns minutos - em duas penadas portanto) pretendem contrariar – com ou sem argumentos - o que os autores procuram dizer num livro ao qual terão dedicado, no mínimo, algumas semanas; enfim.

Não me parece que se possa categorizar estas críticas como má fé; são apenas fruto de “indigência intelectual”.

Já quanto a um artigo que encontrei no Esquerda (1), bom, má fé penso ser pouco para o definir.

O artigo dá notícia de uma conferência realizada pela Fundação Gulbenkian subordinada ao tema “Valores para o nosso tempo”.

Começa assim:

«Nos dias 25,26 e 27 de Outubro de 2006, a Fundação Gulbenkian realizou um importante Conferência subordinada ao tema "Que Valores para o Nosso Tempo".»

E a determinada altura informa (sublinhados meus):

“O responsável pela Conferência foi o filósofo Fernando Gil, recentemente falecido.
É dele o texto que segue, de apresentação da Conferência. Interessante lembrar que Fernando Gil defendeu, num livro escrito de parceria com Paulo Tunhas e Daniéle Cohn, "Impasses", a agressão brutal da coligação EUA/Reino Unido ao Iraque como necessidade absoluta para defesa do ocidente! Infelizmente já não pôde ver, em toda a sua plenitude, o êxito da missão em que Bush se empenhou.”

Segue-se o referido texto de apresentação da conferência e mais abaixo o texto da comunicação de Eduardo Lourenço.

Pergunto: porque é “importante lembrar ....” ??

Como é possível dizer que “Fernando Gil defendeu a agressão ...” ??

Que prazer existe no inominável cinismo de um: “Infelizmente já não pôde ver ...” ??

Será má fé ??

Será apenas indelicadeza para com a memória de um homem que já não pode defender o seu pensamento a não ser pelas obras que deixou, e essas, pelos vistos, não as compreende o autor do artigo?

Será “indigência intelectual” ??

Estupidez é com toda a certeza.

Serão a estupidez e o cinismo alguns dos “valores para o nosso tempo”, este nosso desgraçado tempo ?


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sábado, junho 09, 2007


O meu chapéu cinzento é um livrinho admirável de Olivier Rolin e compra-se por 1.50€

O texto da badana diz:

"O Meu Chapéu Cinzento, de Olivier Rolin, transporta-nos, numa extraordinária viagem, da Alexandria de Cavafy e Durrell à Lisboa de Fernando Pessoa, à Atenas de Melina Mercouri, à Goa de Tabucchi, aos Açores de Antero e dos pescadores de baleias...
Recusando embora a classificação de escritor de viagens, Rolin demonstra aqui, porém, a velha e frutuosa ligação que a viagem e a literatura estabeleceram desde que Homero fez Ulisses voltar a Ítaca..."

Para abrir o apetite:

"... as viagens não são mais do que veleidades de exílios, tal como há suicídios falhados."

"As línguas são monumentos tão interessantes como as Pirâmides ou o Parténon. Por que não havemos de visitá-las? Não traríamos delas recordações?"

"... Cavafy escreveu isto, que não tem nada de genial: é simplesmente bastante verdadeiro."

"Lemos um desses livros cujo objecto é uma cidade e depois, ao desembarcarmos um dia pela primeira vez, constatamos que nada mudou desde que nunca lá estivemos."

"... E não me venham dizer que as sombras são negras. Negras! Vão dizer isso a outros... Talvez em Mans, quando as há, ou então em Clermont-Ferrand, lugares de poucas frases, que os seus habitantes me perdoem."

Confesso a minha aversão a sentenças mas não há como contrariar a verdade.

sábado, maio 05, 2007

Estava mesmo a precisar de algo assim:


quinta-feira, abril 19, 2007

João César das Neves (economista e professor universitário na Católica) opina hoje no Destak sobre ... SEXO!

O título da coluna de opinião é “Sexo à esquerda” e JCN discorre sobre uma notícia de um discurso que o primeiro ministro fez em Leiria no passado dia 13.

Diz JCN que, nessa notícia, há uma passagem muito reveladora e transcreve: “Para aqueles que acusam o PS de não ter políticas de esquerda, Sócrates deu o exemplo de três leis: a Lei da Paridade, a Lei da Procriação Medicamente Assistida e a Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez”.

“Esta declaração é insolita”, afirma JCN e justifica:

“O elemento mais surpreendente é que os três diplomas que, na sua (do primeiro ministro) opinião, manifestam a especificidade política do Executivo nada têm a ver com os reais problemas do país. Estamos a passar por um período difícil, com exigentes desafios e decisões a enfrentar. Mas os ministros expressam a sua orientação ideológica só em pontos menores, todos relacionados com o sexo. Onde, aliás, se pode questionar a intromissão de políticos.”

Que JCN questione a intromissão de políticos em “pontos relacionado com sexo” e NÃO QUESTIONE a intromissão da Igreja nos mesmíssimos pontos, tanto se me dá; é lá com ele.

Agora, que JCN considere estas leis como estando relacionadas com SEXO, é de bradar aos céus.

A da IVG e a da PMA, com bastante esforço ainda consigo lá chegar, mas a da Paridade ... (alguém me elucida que eu não estou a ver?!?!?)

Mas não se fica por aqui. Um pouco mais abaixo diz:

“O facto de a sua especificidade (política do Executivo) se definir apenas no baixo-ventre levanta, obviamente, muitos problemas à relevância das forças de esquerda”.

Baixo-ventre ?!?!?!?!

Desculpe senhor JCN, disse: “BAIXO-VENTRE”?!?!?!

Quanto à IVG já sei a sua opinião, obrigado. Mas então ... um casal que, por dificuldades em conceber um filho, procure ajuda médica, tem um problema de .... BAIXO-VENTRE?!?!?! Tipo: nasci com isto avariado.

E uma mulher discriminada apenas por questões de género (ou sexo, como prefere o senhor) tem um problema de BAIXO-VENTRE?!?!?! Tipo: nasci com isto.

Enfim, quem o viu no debate “contra” o Daniel Oliveira na altura da campanha para o referendo sobre a IVG, sabe o quanto um homem aparentemente inteligente e sensato pode revelar-se um trauliteiro trocatintas e cínico e, como tal, não estranhará nunca mais as suas opiniões disparatadas. Mas eu confesso que me pareceu que tal comportamento se deveu apenas ao calor da “disputa”. Vejo agora que não: o senhor JCN é mesmo assim e eu não gosto de pessoas assim.

terça-feira, abril 17, 2007

Kurt Vonnegut


Morreu Kurt Vonnegut. Nunca tinha ouvido falar nele, e agora estou com vontade de saber coisas.

O seu último livro “A Man Without a Country” de 2005 ("
Um homem sem pátria", Tinta da China, 2006) termina com o seguinte poema.

Requiem

When the last living thing
has died on account of us,
how poetical it would be
if Earth could say,
in a voice floating up
perhaps
from the floor
of the Grand Canyon,
“It is done.”
People did not like it here.

Tenho mesmo muita vontade de conhecer melhor o senhor.
A autoridade em Portugal está pelas ruas da amargura arrastada pela amargura das ruas por onde se passeia uma comunicação social cada vez mais sensacionalista.


O mais recente "caso" Jornal Público vs. Sporting é mais um exemplo elucidativo e preocupante. E a minha preocupação reside no facto de ser o Jornal Público; se fosse o 24 Horas, de facto, não estaria tão preocupado. Um por um, acabam os orgãos de comunicação social em que podiamos confiar.


As repercusões da decisão do STJ, convenientemente amplificadas pelo jornal (o próprio), foram de tal ordem que pudemos ouvir as mais violentas reacções vindas de pessoas que eu tinha por inteligentes e bem formadas.


Acontece que sempre me pareceu que os juizes do STJ (tal como todos os outros) não seriam os idiotas que me estavam a fazer crer as tais pessoas, mas de facto, tudo apontava para que fossem.


Falei do assunto com um amigo, juiz, que me fez o favor de elucidar sobre alguns pormenores relacionados com o caso.


Segue o email do meu amigo:





Percebi a tua admiração pela notícia da decisão do diferendo Público – Sporting
Só que
É fácil dizer que o jornal foi condenado por publicar uma notícia que se veio a saber ser verdade, retirando-se "passagens" da decisão para reforçar essa tese e não se indo ao fundo da questão, explicando-se aquilo que foi decidido.
Para que possas compreender melhor as coisas, chamo-te a atenção para o seguinte:




Como se diz no Acórdão do STJ : "
A violação do disposto no artigo 484º do Código Civil (ofensa do crédito ou bom nome) não depende da veracidade ou não do facto divulgado, pelo que a ilicitude do facto não é afastada pelo cumprimento ou não das exigências da verdade".
Assim, por exemplo, se um jornalista resolver noticiar que determinada mulher, durante as últimas férias, dormiu com sete homens diferentes, um em cada dia da semana, facilmente se compreende que, mesmo que o jornalista prove que isso foi verdade, isso não o exclui da possibilidade de cometer um ilícito, por ofender o bom nome da pessoa em causa. A reputação dela foi lesada perante todos, e como tal há, em princípio, ilícito. Apenas não haverá se se considerar que havia uma "causa de justificação" para a conduta do jornalista.
Para, então, se determinar se a conduta do jornalista era ou não justificada havia que fazer uma ponderação de interesses, e ver qual é o que devia prevalecer:
- se o direito da mulher em causa ao crédito e bom nome;
- se o direito à liberdade de imprensa.
Ora, em tal caso, apenas poderia prevalecer o direito à liberdade de imprensa, se se considerasse (provasse) que, no caso em concreto, havia um interesse (público) relevante para noticiar a situação. Assim não sendo, devia prevalecer o direito que cada um de nós tem à privacidade e ao bom nome.



Como vês, retirou-se uma frase do Acórdão para se passar uma "mensagem" favorável aos jornalistas, mais uma vez procurando fazer dos juízes lunáticos totalmente desligados da realidade e "ressabiados" com os jornalistas.




Os jornalistas não foram condenados por noticiarem factos verdadeiros que foram considerados ofensivos do bom nome do Sporting
Os jornalistas foram condenados, sim, por darem uma notícia repleta de afirmações que insinuavam que o Sporting (mesmo após a celebração e início de execução do acordo firmado com o Governo – Plano Mateus) tinha um calote fiscal enorme que tinha escondido da Administração Fiscal, daí partindo para falar na existência de um crime fiscal e na possível aplicação de penas de prisão para os dirigentes.
Quando o que se passou (mais ou menos) foi o seguinte:
- é verdade que o Sporting tinha uma dívida fiscal bastante grande (460 000 000$);
- antes do acordo do Governo com o Sporting, a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais apurou quais eram, até 31 de Julho de 1996, as dívidas do clube à Administração Fiscal, tendo o valor das mesmas sido incluídas no requerimento que o Sporting, depois, teve que apresentar no âmbito do Plano Mateus.
- O Sporting começou a fazer todos os pagamentos a que se vinculou, desde a aprovação do seu requerimento para a adesão ao Plano Mateus, mantendo-se plenamente cumpridor perante a Administração Fiscal.
- Dado que a Administração Fiscal, quando fixou em 1996 o valor da dívida global para ser considerada para efeitos da dação em pagamento, ainda não tinha concluído as acções de inspecção sobre os clubes de futebol, a mesma veio a apurar mais tarde que existiam dívidas dos clubes que não tinham sido contabilizadas, o que gerou alguma polémica ao nível da Administração Fiscal sobre o procedimento a adoptar para cobrar as mesmas, no caso do Sporting a tal dívida de 460 000 000$



Ou seja:
O Público em vez de noticiar aquilo que efectivamente se passava, avançou com grandes "parangongas" a dizer que o Sporting tinha um calote enorme, falando em crime e em penas de prisão para os dirigentes.
Assim,
A condenação não foi por causa dos factos (verdadeiros) que foram noticiados, mas sim por causa do jornal ter envolvido os factos com insinuações (deturpadas) lesivas do bom nome do clube e seus dirigentes. Como se diz no Acórdão:
"De qualquer modo, na sua estrutura objectiva e pelo sentido que os leitores deles podiam razoavelmente extrair, os factos noticiados não correspondiam à situação envolvida pela relação jurídica tributária encabeçada pelo recorrente e pela Administração Fiscal.
O que passou para a opinião pública foi, conforme se considerou nas instâncias, a ideia de que o recorrente não cumpria as suas obrigações fiscais, que retinha indevidamente impostos e contribuições para a segurança social, o seu incumprimento a participar pela Administração Fiscal, e terem os seus dirigentes cometido o crime de abuso de confiança fiscal a que corresponde pesada pena de prisão. Verifica-se, assim, que o conteúdo do noticiado não se resume à mera informação de factos de pretérito, certo que ele assume uma vertente jornalística de opinião. Além disso, envolvem os referidos factos considerável pormenorização e, dada a credibilidade do órgão de comunicação que a emite, o universo dos seus leitores e o respectivo estrato social, assumiram a virtualidade de objectivar a eficácia do convencimento dos destinatários da comunicação quanto à sua realidade e, daí, a sua potencialidade de consecução de efeito nocivo em relação à personalidade moral do recorrente".




Admito que a questão não é líquida.
Admito que, seguindo-se a linha da decisão do STJ, muitos jornais correm o risco de fecharem, por estarem cheios de notícias sensacionalistas (e, no fundo, foi isso, que o Público fez: exagerou de forma sensacionalista uma notícia com um fundo de verdade).
Tanto não é líquida a questão que os jornal foi absolvido na 1ª instância e também na 2ª instância (Tribunal da Relação), apenas tendo sido condenado pelo STJ (e ainda está pendente recurso no Trib. Constitucional).
Agora o que é certo é que o STJ não cometeu disparate nenhum, tendo assumido uma posição da qual se pode discordar, mas que não é absurda, tem lógica, está fundamentada e, se bem compreendida e explicada, seria se calhar defendida pela maioria daqueles que agora a criticam.



Um abraço.

terça-feira, março 13, 2007

A amizade é ...


Pode ler-se aqui um post sobre a importância de ter amigos.

O autor do post dá eco a um estudo publicado na revista Veja e reproduz algumas, não sei se todas as, conclusões.

São elas:

a - Durante a adolescência, passamos mais de 30 por cento do nosso tempo com amigos. Na vida adulta, menos de 10 por cento.

b - Ao longo da vida, acumulamos cerca de 400 amigos. Mas mantemos contacto com menos de 10 por cento deles.

c - Temos uma ligação directa, em média, com pelo menos 30 pessoas. Destas, só seis são consideradas amigos próximos.

d - Quem tem um melhor amigo no escritório é sete vezes mais criativo no trabalho.

e - Quem tem um sólido círculo de amigos é 70 por cento mais feliz no casamento.

f - A tensão arterial das pessoas mais solitárias é três vezes mais alta do que a das que vivem acompanhadas.

g - Acima dos 65 anos, há três vezes mais mortes entre os solitários do que entre os que convivem regularmente com amigos, parentes ou cônjuges.

Eu não tenho nada contra estatísticas mas creio que é preciso alguma dose de bom senso para tirar conclusões dos seus resultados, bem como predispôr o espírito à critica.

Vejamos uma por uma, as conclusões acima:

a – Será que escola, trabalho ou estado civil terão algo a ver com os números encontrados?

b – Menos de 10%? Hmm, 9%? Ok, tomemos 9% de 400 o que perfaz 36 amigos. Mantemos contacto com 36!!! amigos? Vou repetir: 36????

c – Neste caso o estudo optou por utilizar a média, ou melhor duas: por uma lado 30, por outro 6. Não seria mais esclarecedor fundir as duas e dizer : “Em média, consideramos amigos próximos 20% das pessoas com quem temos uma ligação directa”? E nem falo do adjectivo (próximos) que só aparece aqui, à 3ª conclusão.

d, e – Estas são das minhas preferidas e muito utilizadas em publicidade a cremes de beleza. O que é isso de 7 vezes mais criativo ou 70% mais feliz?!?!

f – Considerando como normal uma tensão arterial de, digamos, 11/7, uma pessoa solitária terá uma tensão de 33/21?!?!?! Mesmo que EM MÉDIA?!?!?

g – Será que acima dos 65 anos há 3 vezes mais pessoas solitárias do que a conviver regularmente com amigos, parentes ou cônjuges? E porque se juntaram parentes e cônjuges a este cálculo e não aos outros?

Que um amigo não tem preço, como conclui depois o autor do post, já se sabia: sabe talvez quem o tem, sabe certamente quem o perdeu. Mas se alguém pretender tornar isso uma verdade científica (vá-se lá saber porquê) que o faça ao menos com números (ou qualquer outra técnica) com PÉS E CABEÇA.

Ou então recorra aos poetas que, sim, servem para alguma coisa.

Enfim; é por estas e por outras que comemos satisfeitos da vida cada numerinho que nos impingem uns e outros.

segunda-feira, março 12, 2007

Mudanças!

Que as coisas mudem; que os promotores queiram mudar o patrono; eu até nem sei se isso é uma coisa assim muito má.

O que me espanta é que os promotores (Casino Estoril), com a mudança, não se apercebam de que, ao contrário do que suspeito ser a sua intenção, estão a desrespeitar, não o Fernando Namora (se é que tal coisa é possível) mas, a própria Agustina (graças, graças ainda viva) e que se saberá patrona a prazo de um prémio literário.

É ridículo, pois é.

sábado, março 10, 2007

A Floribela terminou hoje.

Andaram meses a encher couriços: não havia meio de o príncipe e a criadita realizarem o seu amor. Eis que quando finalmente, depois de todos os avanços e recuos, o casalito se decide, o dito príncipe morre num acidente.

Nada contra uma Cinderela com final heterodoxo; afinal era o final do suplício.

Pensava eu.

Como o enchimento de chouriços já começava a raiar o absurdo (até as minhas filhas de 8 e 10 se começavam a fartar daquilo) mas o negócio valia apena, a produção resolveu fazer o príncipe "voltar" do céu e encarnar no corpo do coitado que, assim não quis o destino, deveria ter morrido na sua vez.

Está pois assim garantido o enchimento de mais chouriços durante largos meses na tão esperada, e adivinhada, sequela.

Eu é que não caio noutra: SIC, proibição total e absoluta; vão chamar estúpido a outro, apre!!!!


"Não há passos divergentes para quem se quer encontrar."

Jorge Palma

segunda-feira, março 05, 2007

NÃO PASSARÁ!!!


A OPA da SONAE sobre a PT morreu antes de se saber se o mercado estava interessado no negócio.


O estado manteve-se neutro: o seu representante ausentou-se da sala na altura da votação. A desblindagem dos estatutos, condição necessária, foi chumbada com, entre outros, os votos da Caixa Geral de Depósitos.


Parece que os acionistas que votaram contra estão contentes com os resultados da empresa.


Estão também contentes com as promessas do Dr. Granadeiro de distribuir 6000 milhões de euros pelos accionistas até 2009 ou coisa que o valha.


Segundo andou a pregar o queixoso Dr. Granadeiro, a empresa está "parada" há quase um ano. Ainda assim, os resultados foram bons e até dá para distribuir 6000 milhões de euros.


NOTAS:


- 6000 é basicamente metade dos 11800 que a SONAE estava disposta a desembolsar pela totalidade do capital. Realmente assim ... é negócio: recebem 6000 e mantêm as acções.

- o estado manteve-se neutro já que a CGD é, como se sabe, uma empresa marroquina.


Está pois esclarecida a dúvida do Eduardo Pitta.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007


Afirmación, Manuel Clement Ochoa
Afirmación, Manuel Clemente Ochoa



UMA AFIRMAÇÃO

?A que temperatura
lá fora
acontece isso
dessa lista;

?Onde estava aquilo
que a cresceu agora
mais tarde;

?Que é de mim
embora pouco importe
então como aqui.

Significado não é
atributo das coisas
eu sei

mas ?não é viver
acumular a quem perguntar
mais do que tempo?

David Fernandes

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O dia seguinte

Na abertura das jornadas parlamentares do PS, esta tarde, Alberto Martins, tratou também de reafirmar os avisos aos partidos da oposição e aos movimentos cívicos: ninguém vai fazer a nova lei pelo partido socialista.

«Não haverá naturalmente aconselhamentos obrigatórios, à revelia do que foi o mandato popular», frisou ainda.

«uma vitória do progresso e da modernidade, uma vitória do grupo parlamentar», considerou ainda o mesmo senhor.

Este era precisamente o meu receio, único degrau que tive que transpor para votar SIM no passado Domingo. O senhor Martins está a um passo de transformar esse degrau em sapo que hei-de engolir.

Não senhor Martins, não foi uma vitória do grupo parlamentar; foi de todas as pessoas, associadas em grupos ou não, que lutaram pelo SIM; foi das mulheres portuguesas em particular e de Portugal em geral.

Não haverá aconselhamento obrigatório? Por acaso até não sei porque não há-de haver.
Mas, "à revelia da vontade popular" ?!?!?!?

Não senhor Martins, o povo que o senhor está a chamar de estúpido, não votou em nenhuma lei, respondeu a uma pergunta simples (como V.Exa. não se terá cansado de referir) e, E, confiou que depois disso, os senhores e a Assembleia iriam fazer o melhor possível.

O senhor prefere tirar dividendos políticos da situação: está bem.

Mas olhe que na minha opinião, aproveitar-se politicamente do resultado de um referendo, ainda por cima deste, para mim só tem um nome: pulhice.

O senhor está a mostrar o que de pior tem a política.

Não faça isso, não humilhe dessa maneira tanta gente de boa fé.