sábado, março 10, 2007

A Floribela terminou hoje.

Andaram meses a encher couriços: não havia meio de o príncipe e a criadita realizarem o seu amor. Eis que quando finalmente, depois de todos os avanços e recuos, o casalito se decide, o dito príncipe morre num acidente.

Nada contra uma Cinderela com final heterodoxo; afinal era o final do suplício.

Pensava eu.

Como o enchimento de chouriços já começava a raiar o absurdo (até as minhas filhas de 8 e 10 se começavam a fartar daquilo) mas o negócio valia apena, a produção resolveu fazer o príncipe "voltar" do céu e encarnar no corpo do coitado que, assim não quis o destino, deveria ter morrido na sua vez.

Está pois assim garantido o enchimento de mais chouriços durante largos meses na tão esperada, e adivinhada, sequela.

Eu é que não caio noutra: SIC, proibição total e absoluta; vão chamar estúpido a outro, apre!!!!


"Não há passos divergentes para quem se quer encontrar."

Jorge Palma

segunda-feira, março 05, 2007

NÃO PASSARÁ!!!


A OPA da SONAE sobre a PT morreu antes de se saber se o mercado estava interessado no negócio.


O estado manteve-se neutro: o seu representante ausentou-se da sala na altura da votação. A desblindagem dos estatutos, condição necessária, foi chumbada com, entre outros, os votos da Caixa Geral de Depósitos.


Parece que os acionistas que votaram contra estão contentes com os resultados da empresa.


Estão também contentes com as promessas do Dr. Granadeiro de distribuir 6000 milhões de euros pelos accionistas até 2009 ou coisa que o valha.


Segundo andou a pregar o queixoso Dr. Granadeiro, a empresa está "parada" há quase um ano. Ainda assim, os resultados foram bons e até dá para distribuir 6000 milhões de euros.


NOTAS:


- 6000 é basicamente metade dos 11800 que a SONAE estava disposta a desembolsar pela totalidade do capital. Realmente assim ... é negócio: recebem 6000 e mantêm as acções.

- o estado manteve-se neutro já que a CGD é, como se sabe, uma empresa marroquina.


Está pois esclarecida a dúvida do Eduardo Pitta.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007


Afirmación, Manuel Clement Ochoa
Afirmación, Manuel Clemente Ochoa



UMA AFIRMAÇÃO

?A que temperatura
lá fora
acontece isso
dessa lista;

?Onde estava aquilo
que a cresceu agora
mais tarde;

?Que é de mim
embora pouco importe
então como aqui.

Significado não é
atributo das coisas
eu sei

mas ?não é viver
acumular a quem perguntar
mais do que tempo?

David Fernandes

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O dia seguinte

Na abertura das jornadas parlamentares do PS, esta tarde, Alberto Martins, tratou também de reafirmar os avisos aos partidos da oposição e aos movimentos cívicos: ninguém vai fazer a nova lei pelo partido socialista.

«Não haverá naturalmente aconselhamentos obrigatórios, à revelia do que foi o mandato popular», frisou ainda.

«uma vitória do progresso e da modernidade, uma vitória do grupo parlamentar», considerou ainda o mesmo senhor.

Este era precisamente o meu receio, único degrau que tive que transpor para votar SIM no passado Domingo. O senhor Martins está a um passo de transformar esse degrau em sapo que hei-de engolir.

Não senhor Martins, não foi uma vitória do grupo parlamentar; foi de todas as pessoas, associadas em grupos ou não, que lutaram pelo SIM; foi das mulheres portuguesas em particular e de Portugal em geral.

Não haverá aconselhamento obrigatório? Por acaso até não sei porque não há-de haver.
Mas, "à revelia da vontade popular" ?!?!?!?

Não senhor Martins, o povo que o senhor está a chamar de estúpido, não votou em nenhuma lei, respondeu a uma pergunta simples (como V.Exa. não se terá cansado de referir) e, E, confiou que depois disso, os senhores e a Assembleia iriam fazer o melhor possível.

O senhor prefere tirar dividendos políticos da situação: está bem.

Mas olhe que na minha opinião, aproveitar-se politicamente do resultado de um referendo, ainda por cima deste, para mim só tem um nome: pulhice.

O senhor está a mostrar o que de pior tem a política.

Não faça isso, não humilhe dessa maneira tanta gente de boa fé.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Da amizade

Os “voos da CIA” ainda são notícia.

Desde sempre me pareceu razoável e até plausível que tal coisa tenha de facto acontecido. Afinal, os EUA são um estado amigo de Portugal e não me espanta que tais cumplicidades se estabeleçam entre “amigos”.

A insistência na questão advém de lutas políticas caseiras (especialmente de tipo fratricida) mais do que outra coisa qualquer; a “ilegalidade” é apenas máscara. Atrocidades muito mais graves são diáriamente cometidas contra inocentes (não alegadamente inocentes) e ninguém lhes passa cartão. Adiante.

Ora, se é plausízel que aquelas cumplicidades acontecem, a minha dúvida é a seguinte e de fácil resposta: Quem é mais amigo de Portugal: eu ou os EUA?

Correrei riscos ao, por exemplo, criticar abertamente o Senhor Bush? Estarei a salvo daquele tipo de amizade entre estados? Poderei contar com Portugal?

Não adianta ter medo se só posso contar comigo e com os meus, que como eu são menos amigos de Portugal do que os EUA.

terça-feira, janeiro 23, 2007


Conjectura número tal

A verdade é que, de tudo o que não tem utilidade, talvez apenas de ti me seja difícil prescindir; ainda que saiba perfeitamente que te bastas, ou assim me parece e desejo.

E esse facto preocupa-me; digo, ter contacto apenas com o que utilitário, me permite viver com conforto.
Se a felicidade existe é coisa de grande inutilidade e desconforto; já uma conjectura ainda terá algum uso

... e explicação.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Sim, porque não, ou ... não, porque sim.

No canhoto já o haviam dito, eu concordo e verifica-se: a campanha do SIM é uma lástima.

Veja-se este cartaz.



Mas, mas: sim?!?!?
Ahh! Não.
Isto é: NÃO à abstenção para manter o aborto clandestino ... e para isso deve votar-se SIM.
... clarinho como água.
Ou ainda mais claro:
Não se abster é ir votar, certo?? Independentemente do "lado". Ou não?
... pffiiiiiiu que assim a coisa tá preta.

Eu cá não percebo puto de marketing e/ou publicidade mas parece-me, no mínimo, hilariante.

Mas a "coisa" tá armada à partida, digo, na própria formulação da pergunta sobre a qual vamos votar; basicamente o que nos vão perguntar é:

"Acha que não é crime interromper a gravidez .....?"
Como é que se deve responder?
Não, acho que não é.
Sim, acho que não é.

Confesso; estou baralhado.


Assertivo (Lat. assertivu), adj. Que encerra acerto; afirmativo.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Multidão 2


Eu, tu, ele, nós, vós, eles

Li há pouco dois argumentos de um defensor do NÃO que ainda não conhecia (os argumentos, que o adepto continuo a não conhecer).

São eles:

“Coloquemo-nos na pele do outro; coloquemo-nos na pele do embrião que já sente e tentemos imaginar o que será sermos cortados em pedaços a sangue frio ou envenenados. E não é um embrião qualquer, é o nosso futuro filho.”

“Acho que se trata verdadeiramente de um crime horrendo (matar o próprio projecto de filho!)e não compreendo como é possivel que se faça.”


Ora não “compreende como é possível que se faça” mas, ao usar isso como argumento, mostra que crê que compreende tudo o que há para compreender.

Aqui está o cerne de uma questão infelizmente presente neste como em todos os referendos e eleições: o EU quando o que faz falta é pensar o NÓS, principalmente no que isso tem de não-EU.

Apetece devolver o conselho: “coloquemo-nos na pele do outro”; não do embrião que isso parece ser muito difícil; é bem mais fácil: “coloque-se cada um na pele de um semelhante a si”. E não só neste referendo mas em todos os referendos e eleições que venham a acontecer.

Com o tempo aprenderemos a fazer isso durante o resto do tempo também.

domingo, janeiro 07, 2007


ESPIRAL

quantos como eu
um agente secreto
muito incompetente
- espião ao contrário
de um país
que é
e
nada.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

"Quem muda seus males estuda"

Mudei o aspecto da coisa e os comentários foram-se. Não eram muitos mas eram bons e queridos. Enfim. Eram tantos que, não só mas também por isso, me lembro de cada um deles. Obrigado.
Pelo SIM à despenalização da IVG ou pelo SIM ao aborto, resumindo: pelo SIM, seja lá por que motivo for.

O referendo à despenalização da IVG está a dar que falar e está a custar-me perceber porquê; sinceramente.
  • Não é óbvio que não se pode julgar uma mulher que recorre à IVG?
  • Não é óbvio que um dentista sem habilitações é um criminoso?
  • Não é óbvio que despenalizar pode significar tudo menos combater a clandestinidade?
  • Não é óbvio que o recurso a “clínicas” de vão-de-escada não tem nada a ver com penas, tão pouco com dinheiro?
  • Não é óbvio que despenalizar não significa incentivar?
  • Não é óbvio que os números apresentados por gregos e troianos não têm a mais pequena hipótese de confirmação?
  • Não é óbvio que uma IVG não poderá estar sujeita a lista de espera?
  • Não é óbvio que há problemas de saúde pública de resolução muito mais urgente?
  • Não é óbvio que uma gravidez é evitável e até (já) interrompível?
  • Não é óbvio que o assunto diz respeito à mulher como ao homem?
  • Não é óbvio que as questões de ordem moral (psicológica) se sobrepõe às de ordem física?
  • Não é óbvio o significado da palavra “des-pe-na-li-za-ção”?
  • Não é óbvio que “despenalizar” não significa automaticamente “criar condições para que o sistema de saúde público trate do assunto”?
  • Não é óbvio que (felizmente) a maioria das pessoas (de ambos os lados) que argumenta sobre o assunto não faz a mais pequena ideia do que é passar por isso?
  • Não é óbvio que ser a favor da despenalização (do “sim”, para ser claro) implica ser militantemente contra o aborto?
  • Não é óbvio que ser contra a despenalização (do “não”, para ser outra vez claro) implica ser militantemente contra a ignorância?
  • Não é óbvio que a religião professada tem tanto a ver com o assunto como o concelho de naturalidade?
  • Não é óbvio que a competência de legislar cabe à Assembleia da República?
  • Não é óbvio que ninguém melhor que o governo tem (ou deveria ter) a informação relevante para decidir sobre o assunto?
  • Não é óbvio que isto do referendo é apenas uma questão política, no que de pior tem a dita?
  • Não é óbvio que depois do referendo, qualquer que seja o resultado, tudo o que importa estará ainda por fazer?
  • Não é óbvio que esse tudo, então como agora, cabe à tal Assembleia da República fazê-lo?
  • Não é tão escancaradamente óbvio que isto é um não-problema?

Não, nada disto parece ser óbvio e por isso se vai fazer um referendo.

Por isso, embora correndo o risco de contribuir para um resultado certo por motivos maioritariamente errados, eu vou votar sim e esperar que se acabe de vez com esta discusão idiota de país de idiotas sem mais o que fazer.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

O nosso reino, valter hugo mãe, temas e debates

Ando a ler este livro com um atraso de dois anos e suspeito que não vou conseguir acabá-lo. Não porque seja difícil, ou terrível, ou triste, ou alegre, ou isto, ou aquilo; apenas porque não quero deixá-lo.

Estou no bom caminho: ainda não comecei o segundo capítulo, página 27. Mas já acabei o primeiro, várias vezes.

Não sei descrever o que me parece este livro. Deixo apenas uns recortes do pouco que já li, várias vezes: o primeiro capítulo.

se estivemos juntos, foi pelo funeral da minha avó. acabado que estava o dia voltávamos para cada casa sozinhos e separados novamente, impedidos de julgar asneiras por coisas certas os dois ao mesmo tempo. haveria de ser à vez, cada um na sua vez, a decidir pelas asneiras. o que facilitava a vida dos adultos.

fechei os olhos no caminho, mão dada à minha mãe a puxar por mim aos esticões.

e o manuel estava à porta da sua casa, comprometido, a silenciar algo. pela primeira vez vi-o como um estranho, outra pessoa, não outra pessoa que não ele, mas simplesmente uma outra pessoa, não eu

eu não posso ir, tu sabes que a minha mãe está muito doente, agora piorou, e o meu pai resolveu que vamos à missa mais tarde. iam à missa dos pecadores, dos que se atrasam, dos que não querem ir.

jurei que o manuel me abandonou naquele dia, não fui eu, não foi coisa da minha cabeça. deixou de me fitar, agarrou no portão como se se protegesse contra mim, e silenciou-se de vez, como quem não me falaria mais, fechado sobre si mesmo para me deixar fora da sua vida. e eu fui, passei em corrida pela minha mãe, caí, abri os joelhos de feridas, e magoado corri de novo

a chuva (...). mal a vi, começara naquele exacto instante em que avistei o rochedo, e a ele assomei na minha corrida sem hesitações, como um cavalo, e voei até à água que bateu no meu corpo adormecendo-o.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Les choristes




"Duas pessoas ficaram feridas, uma delas um adolescente de 13 anos, esta terça-feira à noite, em Israel, quando militantes palestinos dispararam um rockete que caiu na cidade israelita de Sdérot, na Faixa de Gaza. Uma das crianças está em estado crítico."

"Governo israelita promete resposta."

Segundo a Wikipedia, os primeiros indícios da Lei de talião foram encontrados no Código de Hamurabi, em 1730 a.C., no reino da Babilônia. Essa lei permite evitar que as pessoas façam justiça elas mesmas, introduzindo, assim, um início de ordem na sociedade com relação ao tratamento de crimes e delitos.

Por outro lado, ainda segundo a mesma fonte, está também no Direito hebraico (Êxodo, cap. 21, vers. 23/5): o criminoso é punido taliter, ou seja, talmente, de maneira igual ao dano causado a outrem.

Dar a outra face é coisa mais recente e não se trata disso.

É de comum senso que violência gera violência. Mas, como todos os lugares comuns, perdeu sentido e valor porque a sua razoabilidade se baseia apenas no porque sim.

Não é óbvio que toda a violência tenha que gerar violência (ou então a paz é algo impossível de atingir) mas interromper esta cadeia implica não responder à violência com violência e isso é sinal de fraqueza. Por isso se procura impôr ao outro esse passo.

Isto é: procura-se através da utilização de actos violentos obrigar o outro a abdicar da violência. Ou muito me engano ou isto só pode ser conseguido através do extermínio de uma das partes, ou até de ambas.

Nenhum feliz desfecho à vista, portanto, e ainda bem para todos os "interessados" nestas confusões; o povo é outra coisa.

Quem sabe a que propósito, revi ontem na 2 o filme "Os coristas"

PS: talião escreve-se com t e não com T porque não é um nome.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

De uma lista bem maior publicada no último Expresso, fiz uma selecção. O quê e o porquê (ou não).

NOTA: Os preços são os indicados pelo Expresso, suspeito que alguns deles estejam um pouco inflacionados não sei por que artes. A Leitura, a Bertrand e a FNAC diferem um pouco em alguns deles.

Eis então a wishlist (que não é bem uma lista de desejos) para este Natal (ou natal; não, não sou o único...). Feliz isso e boas compras. Para me enviarem os livros, contactem-me para o email ao lado que eu enviarei a morada postal. Obrigado.


Tipografia - Origens, Formas e Uso das Letras
Paulo Heitlinger
Dinalivro
36.75?


Porque me fascina o gráfico, a capacidade de sintetizar, e ao contrário dos cães, o sentido da visão relativamente mais apurado que o do olfacto.



Até onde se pode ir?
David Lodge
ASA

13.00?

Porque sim.


Cidade de Vidro
Paul Auster, Paul Karasik, David Mazzucchelli
ASA

15.00?

Porque é do Paul Auster, alguém que não faço a mínima ideia quem seja (aliás como todos os ouros acima e abaixo)


O animal moribundo
Philip Roth
Dom Quixote

15.00?

Porque gosto do António Lobo Antunes e não acredito em toda a gente.


Correspondência 1959-1978
Sophia & Sena
Guerra & Paz

22.00?

Mironisses!


Kafka à Beira-Mar
Haruki Murakami
Casa das Letras

20.00?

Murakami era um mestre de karate já falecido; não deve ser relacionado com este.

Porque não?


Borges e a Matemática
Guillermo Martínez
Ambar

16.00?

Pela matemática


Os dias loucos do PREC
Adelino Gomes, José Pedro Castanheira
Expresso/Público

19.90?

Porque nunca consegui compreender o que pode haver de extraordinário num verão ... quente?!?!

sexta-feira, novembro 03, 2006

60! Sessenta.

Numericamente 60, como qualquer outro numero inteiro, pode ser representado pela multiplicação de vários números primos. E, segundo um famoso teorema, não há duas formas de o conseguir fazer.

No caso presente, os tais números primos são: 2 x 2 x 3 x 5 e não há outros que, multiplicados, perfaçam 60.

Extraordinárias coisas.

Primeiro, o facto de ser sempre possível enumerar um conjunto de números primos cujo produto representa um qualquer número inteiro.

Segundo, o facto de não haver dois conjuntos (diferentes) de primos cujo produto seja idêntico.

Assim é a vida!

Não há duas formas de se atingir 60 anos, parece-me: com muita ou pouca vontade, com felicidade ou infelicidade, atingir 60 anos é ter vivido todos e cada um desses 720 meses. Não há alternativa.

Quem os viveu, viveu. Quem não os viveu não sabe. Ponto.

Fosse a vida uma função matemática e tudo estaria dito. Mas não é.

Não é, porque não há matemática que explique a forma como se vivem 60 anos.

E neste particular aspecto do assunto, muitíssimas alternativas se apresentam aos candidatos e nem o próprio pode lembrar, quanto mais explicar, todas as escolhas que foi fazendo ou que se foram, mesmo à revelia da sua vontade, impondo.

Todas as dúvidas que foi, ou não, esclarecendo; os passos que foi dando: uns, seguro da segurança (!!!!!) que o caminho lhes dava, outros completamente alheados da razão.

Enfim, é difícil, para não dizer impossível, enumerar todas as variáveis de uma hipotética função que pudesse representar a vida de um homem.

Aliás, tenho a leve suspeita que a maior parte das justificações para uma vida se poderão encontrar do ?lado de fora? do sujeito dessa vida.

E se for certo que para nos explicarmos temos que olhar em volta e procurar quem somos nos olhos de cada um desses que vemos, deve ser reconfortante saber que, além de muito, pouco ou nada apreciados, além de nos vermos simpáticos ou antipáticos, somos alguém que não deixa alguém indiferente.

Melhor talvez não procurar explicar quem somos; melhor, então, não querer justificar o que fazemos. Melhor, talvez, começar a procurar a sempre curiosa enumeração de números primos cujo produto representa ?mais um?.

Curioso: 61 é número primo, logo não pode ser expresso através do produto de outros primos que não ele. Ao contrário, pode ele próprio ser factor de muitos outros números.

É este o meu desejo pai João. Que sejas ainda factor de muitas coisas, que sejas ainda princípio de outras tantas apesar de coisa nenhuma! Certo?

Isso e que à tua volta tenhas sempre olhos que te ajudem a ver quem és e porque o és! Certo?

quinta-feira, julho 27, 2006

Da inutilidade da saudade


"Eye", M.C. Escher 1946


Partem à aventura,
acreditam e
podem querer.

Na semelhança de
quase a caminho
com já muito perto
ideias fervilham sucessivas
telhas de uma descobertura.

Entre o suficiente
e o necessário
diz-se que se alonga o tempo
se um pouco de ontem puder
ainda ser,
mas estão todos a morrer.

Quantas águas
ou que cor
poria Escher num telhado?

David Fernandes


sábado, fevereiro 25, 2006

Fui aprendendo que só algo de extraordinário me faz escrever.
Hoje assim é: vi o António Lobo Antunes. Vi, e falei com ele; se falar for dizer algo.
Ele a olhar para mim, à espera e eu: David e ele: David nome bíblico e eu: nada.
Ele sorriu e escreveu: Para David.
Extraordinário mas não foi tudo.
Desculpe António, mas não foi tudo.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Suponho que todos os anos tenham qualquer coisa ... própria, sua, e quando acontece, faz sentido cantar isto.
Além de o que diz, é a música sete do disco, apropriada portanto para um ano sete.

-


I Remember That

Nothing sounds as good as "I Remember That"
Like a bolt out from the blue, did you feel it too ?
- I remember that

Name me one little thing, you'll be wanting to keep
As you give up the ghost as you sink into sleep
Maybe her face in the morning, maybe his in the evening
Maybe words never spoken, aren't they the ones worth hearin' ?
Say I remember that

Nothing sounds as good as "I Remember That"
Like a bolt out from the blue, did you feel it too ?
- I remember that
Nothing sounds as good as "I Remember That"
Like a bolt out from the blue, did you feel it too ?
- I remember that

'Cos that's all we can have, yes it's all we can trust
It's a hell of a ride but a journey to dust
And there's nothing pathetic listing clothes she'd wear
If it proves that I had you, if it proves I was there
Say I remember that

Nothing sounds as good as "I Remember That"
Like a bolt out from the blue, did you feel it too ?
- I remember that
Nothing sounds as good as "I Remember That"
Like a bolt out from the blue, did you feel it too ?
- I remember that

Did you feel it too ?... I remember that
Did you feel it too ?... I remember that...

Prefab Sprout